PARIS OCUPADA, PARIS LIBERTADA


São Paulo, 31 de janeiro de 2007

 

 

PARIS OCUPADA, PARIS LIBERTADA

 

Torre Eiffel, Arco do Triunfo, Louvre, Notre Dame, L’Opéra, Sacré Coeur de Montmartre, Pont Neuf, Les Invalides, Place de La Concorde, Champs Elysées, Conciergerie, Montmartre, La Madeleine. Cartões postais de Paris, séculos sobre séculos de Arte e História que, por pouco, não viraram pó. Cada um desses monumentos da humanidade foi cuidadosamente preparado para explodir. Ordens de Adolf Hitler.

1940

Em 10 de maio, o exército alemão invadiu a França e, em 22 de junho, obteve sua rendição incondicional. Outro capítulo da “blitzkrieg” do III Reich que se encerrava com a capitulação de um país. Os cidadãos franceses viram sua capital infestada de tropas da Wermacht e de blindados Panzer. Para os alemães, nunca foi tão verdadeira a expressão “Paris é uma festa”. Turismo, desfiles militares, vinho, champagne, escargot, paté de fois-gras, coq-au-vin, éclaires, profiteroles, convescotes e mademoiselles encantaram a turma do Adolf. Ele mesmo foi visto e fotografado passeando pela Torre Eiffel (ver anexo). Tropas alemãs desfilavam diariamente pela Champs Elysées (ver anexo) para humilhação dos parisienses; oficiais nazistas ocupavam os melhores hotéis da cidade.O Quartel General alemão ficou sediado no Hotel Meurice, na Rue de Rivoli (ver anexo). Hotel de luxo, inaugurado em 1837.

Muitos franceses aderiram. Muitos franceses se exilaram na Inglaterra para enfrentar o inimigo em outras frentes da guerra. Muitos franceses ficaram, decididos a lutar pela liberdade no próprio solo nacional. Por aí se originou a heróica Resistência Francesa. Homens e mulheres inconformados com a ocupação alemã, que colocavam suas vidas em risco, fosse com  transmissão de mensagens aos Aliados, ou com a proteção a procurados pela Gestapo, ou até mesmo com atos de sabotagem. Quando presos, eram sumariamente executados.

1944

O desembarque Aliado nas praias da Normandia, no norte da França, em 6 de junho, o Dia D, mudou o curso da Guerra. Enquanto o Alto Comando Aliado teimava em chegar o mais rápido possível ao coração da Alemanha e terminar a guerra, Paris virava uma panela de pressão. Os franceses queriam porque queriam se livrar dos “boches”, queriam sua Pátria e sua liberdade de volta. Não admitiam esperar. Em agosto, a Resistência Francesa pegou em armas e saiu às ruas. Apoplético, Hitler chamou a Berlim o comandante das tropas de ocupação em Paris, o General Dietrich Von Choltitz. Aos berros e cusparadas, despejou perdigotos alemães no general, traduzidos em ordens expressas para cobrir Paris de dinamite, principalmente instalações de suprimento de água e energia e os monumentos históricos. Se invadida pelo inimigo, Paris deveria se transformar na capital dos escombros. A pressão aumentou, as forças da Resistência Francesa tomaram e ocuparam a Prefeitura, o Quartel de Polícia, o Louvre e outros prédios públicos. Atiradores e guerrilheiros, atacando das janelas ou de barricadas na rua (ver anexo) começaram a matar soldados alemães. As ruas de Paris se transformaram em praças de guerra, em frentes de combate. Veículos incendiados por coquetéis molotov queimavam aqui e ali ao som  do metralhar de balas. Civis franceses de um lado, militares alemães do outro. E mortos dos dois lados.

De tanto insistir, o comando da Resistência Francesa conseguiu ajuda do Exército Aliado. Um voluntário francês foi até a Normandia a pé, de moto, de ambulância, de carroça, conseguiu driblar a vigilância alemã e vendeu o peixe aos grandes generais. De imediato, uma divisão blindada francesa e regimentos de infantaria americana partiram para Paris . Os tanques do General Henri Leclerc avançavam pelas estradas rurais, cada um batizado com o  nome de uma  cidade francesa e decorado pela Cruz de Lorraine, símbolo da França livre. O efeito desse avanço foi eletrizante, uma explosão incontida de emoções. Nos vilarejos, a população saía às ruas para abraçar os libertadores, para chorar de alegria com eles. Um ou outro soldado francês conseguia falar pelo telefone com seus familiares em Paris, e informava que estava chegando: “J’arrive ! J’arrive !”.

Mas, por outro lado, em ritmo também frenético, os detonadores de Hitler instalavam dinamite nos prédios, monumentos e instalações da cidade. Os parisienses tremiam com a visão de uma corrida pela liberdade junto com um esforço para preservar a História de sua cidade (ver anexo). Quando os blindados franceses ganharam a corrida, e entraram em Paris, multidões saíram às ruas. Tiros, explosões, fogo, flores, beijos e La Marseillaise. Uma a uma as defesas alemães foram caindo. Os últimos combates aconteceram na Rue de Rivoli, encerrados com a tomada do Hotel Meurice e a prisão de uma penca de oficiais generais alemães. Leclerc recebeu a rendição de Von Choltitz. Perto de 600 civis e militares aliados sacrificaram a vida por uma Paris libertada. E 3.000 alemães pagaram o preço supremo pela aventura tresloucada.

Paris explodiu, mas de festa. Não foi dinamitada. O General Von Choltitz tomou a decisão de preservar um Patrimônio da Humanidade. Ignorou os berros alucinados de Hitler ao telefone : “Paris está em chamas ? Paris está em chamas ?”. Como resposta, o Führer ouvia, ao longe, ecos do Hino Nacional francês, “Le jour de gloire est arrivée”.

Astromar em Paris

Paris libertada foi objeto da primeira visita do Professor Astromar como Viajante na História. Ainda estudante de Engenharia, mas já aficcionado pela Segunda Guerra Mundial, depois de ler o livro e ver o filme “Paris está em chamas ?” foi para a Europa com um grupo de colegas de faculdade. Em Paris, caminhou sozinho pela Avenida dos Champs Elysées, do Arco do Triunfo à Place de La Concorde e seguiu pela Rue de Rivoli. Dentro de um túnel do tempo, conseguia ouvir os ecos das botas alemãs em seu passo de ganso, os tiros e gritos dos combatentes nas ruas, e o alarido da multidão em festa. Sentiu um arrepio de emoção pelo silêncio da História diante das arcadas perfuradas de bala da Rue de Rivoli e das placas nos muros do Jardim des Tuilleries homenageando os heróis caídos em 25 de agosto de 1944 (ver anexo).Voltou a Paris várias vezes, e sempre cumpriu o mesmo trajeto, talvez em homenagem à beleza daquela cidade, sobrevivente eterna.

Observações finais

1.Vejam no álbum de fotos Gália imagens adicionais referentes à Libertação de Paris.

2.E aproveitem a seção Astrolábios para concorrer a DVD’s.

 

 

 

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16 respostas para PARIS OCUPADA, PARIS LIBERTADA

  1. Capitão Raimundo Nonato disse:

    Nobre Professor
    Inda bem que vosmecê voltou. Aqui no cangaço a turma andava meio desenxabida, aperreada com a falta de noticiário de aprendimento. Saiba acolá que apreciemo muitio aquela trepanação na Escalada do Chocolate e, agora, essa bolinação dos chucrute na Cidade Dasluz. Segure lá nossas sugestão de bombardeio nacional pelos cocaleiro xavecado.
    1.Sede do Corinthians, em Sumpaulo.
    2.Mausoléu do Sarney, em São Luís dos Maranhão.
    3.Maiô da Dona Mala Marisa, com estrela vermelha do PT.
    Um grande abraço dos amigo aqui acoitado em Angico,
    Capitão Raimundo Nonato 

  2. Faustinho disse:

    Meu caro Professor,
    se aceita minha sugestão, tenho a impressão que não deveríamos postar as idéais no blog e sim por email. No final do concurso Vossa Senhoria listaria, aí sim no blog, todos as frases participantes e os vencedores.
    Desta forma, as pessoas não se influenciariam pelas respostas dos outros.
    abs

  3. Narciso Rujol disse:

    Aplausos para a volta do Astromar ! Gostei das perguntas no Astrolábio, vou responder…..

  4. Gaita disse:

    Para mudar o curso da História, tiozinho historiador, as detonações seriam
    1.No mês de Junho de 1970.
    2.Em calendários e relógios.
    3.Nos agentes exterminadores dos siris e pirilampos de Inema.
    Muitas lembranças,
    Gaita

  5. Voyeur de Wayzata disse:

    Mestre Astromar, vou ter que bypassar o concurso, porque operei de excesso de volume d\’água nos olhos e estarei com alguma dificuldade na visão por um tempo. Ainda dá pra ver sacanagem, mas só rapidinho. Mas vou ler a matéria do Professor assim que melhorar…

  6. Raspa do Tacho disse:

    Sabe, querido Professor, esse Chávez não é de brincadeira. Se invadisse o Brasil, iria quere que a cidade mais linda do país, a Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro, virasse clone de Havana. Assim sendo, ele mandaria dinamitar:
    1.O Cristo Redentor
    2.A Barra da Tijuca, logradouro infestado de burgueses ociosos
    3.O Sambódromo, centro de festas pagãs sem apelo estatizante

  7. Vanderlei disse:

    Meu caro professor,
    já que está todo mundo postando aqui aí vai:
     
    se eu fosse Adolf Chavez Hitler, eu detonaria 3 bombas nos seguintes lugares:
     
    – a primeira na casa da filha do Dunga, estilista que provou ser pior na costura que o pai no comando da seleção brasileira.
    – a segunda em algum vaso de cemitério para que ninguém o roube.
    – a terceira iria para o Aeroporto de Congonhas, quem sabe lá não vira um grande parque para as criancinhas pobrezinhas do meu Brasil, entende?
     
    OBS: não jogaria uma bomba no parque São Jorge porque isto obrigaria eles e construir alguma coisa mais moderna.

  8. Faustinho disse:

    Meu caro, que bom tê-lo e boa sorte.
    Minhas três bombas vão para:
    – as lombadas de São Paulo que já me fizeram trocar o cárter do carro 8 vezes.
    – as gravadoras de axé que é uma poooorrrrrcaria de música que não serve para nada.
    – todos aqueles que adoram furar fila, seja ela qual for.
    Abraços e até a próxima

  9. Jurerê disse:

    Caro astromar, seguem abaixo as minhas humildes idéias de demolição dos
    monumentos:

    1) Casa do Big Brother Brasil (para ver se a globo acaba com essa porcaria)
    2) Monumento em homenagem a Jaba -The Hut (popularmente conhecido no Brasil como Eurico Miranda). O monumento encontra-se exposto na sede do
    Vasco da Gama.
    3) Camisa do Dunga, no jogo Brasil x Portugal (o que era aquilo?)

  10. Fantasma da Obra disse:

    Professor, meu ataque terrorista seria em personagens aterradores
    1.Assombrações fotochupadas de Ipanema
    2.Cartilhas vermelhas de belzebus petistas do Itamaraty
    3.Cine Alvorada, no palácio de mesmo nome, frequëntado por zumbis manguaços

  11. Encantadozinha disse:

    1. Eu dinamitava o prédio da Rua Inhangá 19 e lá construiria uma casa de pedra, com quintal, balanço e porquinhos da ìndia
    2. Jogava bomba no prédio de apartamentos da Rua Henrique Oswald, que tanta dor de cabeça deram a meu pai
    3. Acabava com o Morro dos Cabritos, que ameaçava rolar sobre nossas cabeças nas enxurradas de verão na Rua Santa Clara
    Encantadôoooooooooozinha09 de fevereiro 19:45

  12. Jurerê disse:

    Olá, caro professor, escrevo-lhe para lhe dizer qual o dvd que gostaria de ganhar por ter sido a 1º colocada no seu concurso.Gostaria do dvd: "Miss Simpatia".Não é o segundo filme (que é chato), é o primeiro, em que ela participa do concurso de miss EUA.Bjs,Jurerê

  13. Paparazzo de Pompéia disse:

    Porfessor
    Parabéns pelo retorno do Astromar.
    Andei fora do Rio, por uns tempos, e não tenho lido os e-mails.
    Abs,

  14. Roger disse:

    Professor Astromar, tenho visitado seu blog de vez em quando e estou muito impressionado. O blog é muito bom e já o tenho recomendado a outras pessoas. O conteúdo é rico e variado e a forma é muito atraente. Você fez tudo sozinho, a partir de nada? Para um expectador externo, parece tecnicamente muito complexo, parece o resultado do trabalho de uma grande equipe. Parabéns! Abraços,

  15. Gaita disse:

    Tiozinho historiador
    Encantada com ao cavalheirismo do Capitão Raimundo Nonato ao me conceder seu prêmio, apresento minha escolha.
    Só poderia ser Butch Cassidy & The Sundance Kid.
    Muitas lembranças,
    Gaita

  16. Marcelo Graglia disse:

    Caro Professor,
    Foi um prazer muito grande conhecê-lo.
    Muito interessante seu blog… para mim, algo moderno.
    Graças a minha consultora, Ciça, de 16 anos, consegui escrever esta msg..rs
    A 2ª guerra é um dos meus temas de interesse, como as batalhas da antiguidade que lhe falei hoje e também a revolução de 32; aliás, 9 de julho já se aproxima.
    Neste fim de semana, ganhei como presente de aniversário de meus filhos um livro muito interessante sobre o tema. Chama-se "1932 – Imagens construindo a história", de Jeziel De Paula. É um misto de registro histórico e fotográfico que autor construiu a partir de sua dissertação de mestrado. Vale a pena. Um abraço!

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