CORRIDA DE SÃO SILVESTRE


VIVENDO A CORRIDA DE SÃO SILVESTRE

Tradição, Povão, Ufanismo com Asneiras e 15 Chegadas

  

 

Na largada, celebração coletiva. Na chegada, celebração individual. Entre uma e outra, um percurso infernal de 15km, com trechos desatinados morro abaixo e subidas selecionadas com requintes de crueldade. Em pleno verão de São Paulo, passando por avenidas e ruas que nada ficam a dever ao clima social de uma periferia cubana. Na celebração coletiva, a alegria dos anônimos comprimidos como sardinha e regados a respingos do pipi dos incontidos. Um sarapatel do povão brasileiro, mesclando cores, odores, raças e preferências sexuais. Na celebração individual, o sorriso escancarado de anônimos ricos e pobres, ovacionados por si mesmos nos 350 metros finais da Avenida Paulista. Vencedores do circuito dantesco com direito a desidratação, insolação e exaustão.

  

          

                                               Largada – Celebração coletiva                                                                                 Chegada – Celebração individual

  

Mas não foi sempre assim. A Corrida de São Silvestre, nasceu nos idos de 1924, criada por Cásper Líbero, como meio de promoção de seu jornal, a “Gazeta Esportiva”. Oficialmente batizada de Corrida Internacional de São Silvestre, é a mais famosa corrida de rua do Brasil, e uma das mais antigas do mundo, superada pela insuperável Maratona de Boston, com 111 anos. A São Silvestre celebra a passagem do ano a cada 31 de dezembro, dia da morte e da canonização do santo, papa da Igreja Católica. A primeira São Silvestre foi realizada em 31 de dezembro de 1925, o que coloca na edição de 2007 a marca do 83º. aniversário da prova. Neste intervalo a História foi deixando para trás a revolução de 1930, o nazismo, a II Guerra Mundial, a final da Copa do Mundo no Maracanã, o meu nascimento, a Guerra do Vietnam, o mindinho do Lula, Brasil penta-campeão mundial de Futebol, o muro de Berlim, os 100 anos do Fluminense, e não sei quantas moedas nacionais paridas pela nossa incendiária gerentalha política. Na edição de 1925, 48 brasileiros largaram para os 8.800 metros da prova. Era uma corrida noturna partindo e chegando na Avenida Paulista, em uma estressante luta contra o relógio. Tanto contra o cronômetro dos recordes pessoais,  quanto contra as últimas badaladas do Ano Velho. Todos queriam terminar antes da Meia Noite, antes do foguetório do Ano Novo. Talvez buscando sua ilusão real de glória ao imaginar que a queima de fogos celebrava sua chegada como campeão anônimo.

Tradicionalmente exclusiva para residentes no Brasil, a São Silvestre tornou-se internacional em 1945, com o convite a corredores de ponta estrangeiros. Isso trouxe ao Brasil estrelas de primeira grandeza do atletismo mundial. Foram campeões da São Silvestre lendários corredores campeões olímpicos como o tcheco Emil Zatopek, o americano Frank Shorter e o português Carlos Lopes. Paul Tergat, o maior vencedor da São Silvestre, com 5 vitórias, entre 1995 e 2000, foi, até meados de 2007, o recordista mundial de maratonas. A invasão estrangeira tirou o Brasil do lugar mais alto do podium por 34 anos, até a vitória de José João da Silva, pernambucano, ex-garçon, em 1980.

  

           

      Emil Zatopek                               Frank Shorter                             Carlos Lopes                                             Paul Tergat                              José João da Silva

Maratona Helsinki 1952      Maratona Munich 1972            Maratona LA 1984  

  

Quando a ONU declarou 1975 como “Ano Internacional da Mulher”, a São Silvestre criou a corrida feminina. Rosa Mota, portuguesa campeã olímpica, é a maior vencedora da prova, com seis vitórias consecutivas, de 1981 a 1986. A primeira vitória brasileira demorou 20 anos para acontecer, com Carmem Oliveira, em 1995.

                                                               

                                                                   

                                                                                                       Rosa Mota                                                     Carmem Oliveira

                                                                                             Maratona Seul 1988

  

Nessas 83 edições, a São Silvestre esteve em contínuo processo de transformação. A distância variou de 5,5 km a 6,2km, a 7km, a 7,3 km, a 7,4km, a 7,5km, a 7,6km, a 8,7km, a 8,8km, a 8,9km, a 12,6km, a 13,1km, a 13,5km, até chegar aos atuais 15km, oficializados e reconhecidos pela Federação Internacional de Atletismo. Da distribuição de diplomas por conclusão chegamos a medalhas e camisetas para todos os participantes. Da transmissão radiofônica aos efeitos globeleza da TV idem. Da necessidade de comprar a Gazeta Esportiva, durante os dias seguintes à prova, até chegar à publicação do nome do participante procurado à divulgação de todos os resultados, na Internet, horas após a chegada do último colocado. Inversão do percurso: em vez de descer a Brigadeiro Luiz Antonio e subir a Consolação, vice-versa. Mas a grande e profunda mudança foi tirar da corrida a beleza da noite de Ano Novo e entregá-la aos interesses comerciais da TV, atirando os cada vez mais milhares de participantes ao insuportável calor de uma tarde de dezembro em São Paulo. Em paralelo, políticos roliços apareciam junto aos caveirinhas de longa distância procurando faturar não sei o que. A Prefeita Marta Suplicy, em 2003, equilibrando as pelancas coladas com botox, errou na hora de acionar a buzina de largada, enquanto comparava a São Silvestre ao Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1. Foi vaiada da largada e na chegada. E o incontrolável Lula, o maníaco do microfone, junto a um constrangido Marilson dos Santos, bi-campeão da prova e vencedor da Maratona de Nova York 2006, soltava perdigotos e explodia, com sua pança, botões de seu paletó, aos berros de “Grande conquista desportiva do Brasil ! Viva o esporte brasileiro!”

 

                                                                          

                                                          Marilson dos Santos fugindo da Dona Marta e do Estadista Lula

  

Esse ufanismo de político vira-lata parece coisa de puxador de quadrilha de festa junina. Não é bem assim. Com o profissionalismo do atletismo mundial, as celebridades internacionais foram sumindo da São Silvestre. Na edição de 50 anos da prova, em 1974, corredores de elite de 29 países competiram. Nessa última, em 2007, tínhamos, no masculino, dois quenianos e um colombiano e, no feminino, duas quenianas. Nesse grupo estavam os vencedores e apenas um deles não chegou ao podium. Em 2006, não veio ninguém de fora. Esse oba-oba político-globeleza é uma mistura de  caça votos com espasmos de índices de audiência para faturamento comercial. Um autêntico “Me engana que eu gosto”. A temporada de atletismo internacional de corridas de rua termina em Novembro, com a Maratona de Nova York. Os atletas de ponta param ali. Se desgastaram durante meses, mundo afora, atrás dos milhares de dólares das posições em podium. A premiação da São Silvestre inteira, masculino e feminino, beira a merreca de 30 mil dólares. Só os quenianos aparecem aqui. E em qualquer lugar. Sumiram europeus, asiáticos, americanos e latino-americanos. A imprensa internacional ignora a São Silvestre. Em contrapartida, na nossa televisão, presenciamos uma cloaca de asneiras. É maior do mundo pra cá, corrida espetacular pra lá, até colocam um ex-corredor de 100 e 200 metros rasos como comentarista de prova de longa distância. Como se andar de kart qualificasse um piloto para competir nas 24 horas de Le Mans.  Nesse ano, o locutor poli-esportivo da TV entrou em êxtase; no quilômetro final da prova disparou  a parabenizar o São Paulo pelo pentacampeonato brasileiro, a torcida do Flamengo pelo apoio ao time e a incentivar o recém-rebaixado Corinthians a disputar a Copa Libertadores 2009.

Eu participei de 15 Corridas de São Silvestre. Assistir Carlos Lopes vencer a edição de 1982 me levou à decisão de estar na largada de 1983. Então e até hoje, eu adorava correr. Como nunca gostei de réveillon, foi fácil decidir terminar um ano e começar outro fazendo o que fazia bem e que me fazia bem. Minha primeira São Silvestre foi uma experiência inesquecível, uma bagunça. Os funis de chegada não davam vazão à multidão de anônimos retardatários, que começaram a furar a fila dos que já haviam chegado e esperavam seu diploma. A polícia interveio, soltando borrachadas. Executivo da IBM, de repente, lá estava eu correndo da polícia com um “sprint” adicional aos então 12km oficiais. Foi uma corrida inesquecível, noite agradável, São Paulo iluminada, sujeira escamoteada pela escuridão, meu cálculo renal teimoso finalmente se movimentando e, dali a dois dias, eu entrava em cirurgia. Nunca soube minha colocação.

 

           

                Astromar em sua primeira São Silvestre – 31/12/1983                             Astromar em sua segunda São Silvestre – 31/12/1984

  

Os anos foram passando, vieram São Silvestres sob sol e também sob tempestade de verão, o cronômetro registrando tempos cada vez piores e o corpo sentindo mais e mais o esforço. Esqueci o relógio, comecei a curtir a prova visitando, uma vez por ano, aquele lado tão feio de São Paulo. Passei a colecionar São Silvestres. Lembro de todas elas; na celebração coletiva da largada, eu mergulhava na minha individualidade vendo os helicópteros que sobrevoavam a multidão, pensando nos meus queridos e no que nos aguardava no ano que ia entrar. E na celebração individual da chegada eu me dirigia à turma das arquibancadas com as mãos espalmadas indicando quantas provas eu já colecionara e berrando “FLUMINENSE !”. Quando alcancei a 15ª São Silvestre, um bom número, pendurei a última medalha no pescoço e troquei os respingos de pipi da largada, o “sprint” final da chegada na Paulista e a dolorida volta para casa, por um confortável sofá diante de uma tela onde não apareço mais.

  

    Medalha da 79a. Corrida de São Silvestre – 31/12/2003 – 15a. e última da coleção do Professor Astromar

  

  

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26 respostas para CORRIDA DE SÃO SILVESTRE

  1. Faustinho disse:

    Meu caro professor,
    muito bonito seu relato sobre a São Silvestre, esta corrida que tem a cara de São Paulo. Legal ver um carioca, torcedor do Fluminense, fazendo parte da história de um evento tipicamente paulista. Como jornalista, tive a oportunidade de cobrir a corrida duas vezes. Confesso que não gosto muito daquela papagaiada toda e daquela gente querendo aparecer com fantasias, etc. Prefiro acompanhar as "turmas" da frente, brasileiros que – como você – encaram o desafio e seguem até o fim. E heróis como Paul Tergat, Rolando Vera, e José João da Silva, este último um cara extraordinário e a quem tive o prazer de fazer assessoria de imprensa. É a obstinação destes atletas que fazem a verdadeira magia da São Silvestre.

  2. Professor Astromar disse:

    Caro Faustinho
    Obrigado pelo depoimento. Você tem absoluta razão em afirmar que a São Silvestre é um evento paulista. Em 2007, dos 20.000 participantes, São Paulo colaborou com 13.545; a seguir vieram Rio de Janeiro com 669 e Minas Gerais com 660. Esses números acachapantes dizem tudo.
    Saudações silvestres,
    Professor Astromar

  3. Narciso Rujol disse:

    Bravo ! Abcs, Narciso.

  4. Raspa do Tacho disse:

     
    É muito boa a forma como vc escolhe eventos e situações de cidades do mundo e se insere neles. A São Silvestre sempre associei a vc, às suas explicações sobre os diferentes corpos formados por diferentes tempos de corrida, culminando sempre com a indescritível imagem do Paul Tergat, o queniano caveirinha recordista.
    Texto maravilhoso, mas penso que os seus pares de tênis estão clamando por asfalto dentro do closet. Enquanto houver energia, corra!
     

  5. Professor Astromar disse:

    Querida Raspa do Tacho
    Para seu deleite, informo que, de junho e até hoje, perdi 14kg. Pacote nutricionista+personal de musculação (sua sobrinha craque) + personal de corrida (amigo e instrutor que corre junto comigo). Assim sendo, os tênis não estão mais dentro dos armários, estão espalhados pelo chão do closet. Tem um na janela, tomando sol, depois dos 10km de hoje, em 51 min. O velho corredor já voltou, faz tempo. Só não quer mais saber dos respingos de pipi na largada da São Silvestre.
    Professor Astromar

  6. Fabricio disse:

    A filha têm pinta e biomecânica de campeã!!! Agora o filho puxou a mãe…Abraço.

  7. Noblesse Oblige disse:

    Merci, Professeur. Vous venez de me donner une leçon de ce que c’est qu’un marathon.  Pour moi, il y avait toujours un aspect mythique, innatteignable, charismatique, en fait, un aspect qui vous ressemble.  Je n’ai jamais pu suivre vos 15 exploits. Par contre, j’ai eu de la chance de voir votre départ et votre arrivée d\’une petite mais néanmoins célèbre course, celle de l’Escalade, dans les rues d’une ville qui m’est très chère et où je vous j’attends, à chaque année, le coeur plein de joie et d’espoir, avec une marmite en chocolat dans les mains. Rappelez-vous, à l’Escalade, on ne transpire pas, on peut crever de froid…
    Noblesse Oblige

  8. Delicado da Kibon disse:

    E na foto do álbum Astrolábios referente a esse texto, são seus filhotes no Ibirapuera. Uma gracinha. DK
     

  9. Fabricio disse:

    Depois de ler com calma, fiquei numa dúvida cruel. Ao longo dos anos, foi você quem correu atrás da história, ou ela que corria te perseguindo? Parabéns pela "matéria". Abraço.

  10. Professor Astromar disse:

    Ora ora, Fabricio… Correndo eu fiz a minha história. Essa e outras.
    Abcs
    Astromar

  11. Luz de Pedra disse:

    AS GLORIOSAS DA SUA SÃO SILVESTRE

    1.Na largada, celebração coletiva. Na chegada, celebração individual. 
    2.Entre uma e outra, um percurso infernal de 15km, com trechos desatinados morro abaixo e subidas selecionadas com requintes de crueldade. 

    3.Na celebração coletiva, a alegria dos anônimos comprimidos como sardinha e regados a respingos do pipi dos incontidos. 

    4.Um sarapatel do povão brasileiro, mesclando cores, odores, raças e preferências sexuais. 

    5.Na celebração individual, o sorriso escancarado de anônimos ricos e pobres, ovacionados por si mesmos nos 350 metros finais da Avenida Paulista. 

    6.Esse ufanismo de político vira-lata parece coisa de puxador de quadrilha de festa junina.

    7.A premiação da São Silvestre inteira, masculino e feminino, beira a merreca de 30 mil dólares. Só os quenianos aparecem aqui. 

    8.Como nunca gostei de réveillon, foi fácil decidir terminar um ano e começar outro fazendo o que fazia bem e que me fazia bem. 

    9.Executivo da IBM, de repente, lá estava eu correndo da polícia com um “sprint” adicional aos então 12km oficiais. 

    10.Na celebração coletiva da largada, eu mergulhava na minha individualidade vendo os helicópteros que sobrevoavam a multidão, pensando nos meus queridos e no que nos aguardava no ano que ia entrar.

    11.Esqueci o relógio, comecei a curtir a prova visitando, uma vez por ano, aquele lado tão feio de São Paulo.

  12. Luz de Pedra disse:

    Você está escrevendo muito bem. É uma cascata permanente de gloriosas!!!!!!!!!!!!!!  Gostei especialmente das pelancas coladas com botox, cloaca de asneiras, periferia cubana. E por aí vai.

  13. Sonho de Valsa disse:

    Oi Professor ! Hoje pela manhã assim que cheguei no escritório,li o artigo do blog sobre a São Silvestre.Descobri coisas q eu não sabia, como a história do início da São Silvestre.Gostei muito,super legal o artigo.

  14. Capitão Raimundo Nonato disse:

    Mestre dos Mestres
    Eu sempre sube qui tu era dos nosso. Taí, tu acabou tua 1a. São Silvestre correndo de puliça, qui nem teus cumpanhero do sertão. A história foi boa e deu uma animação grande na turma. O cabra Frieira nos Calo diz que conheçe tu. Era dele o jegue que descia a Consolação perdocê, mais ele correndo junto. Usando alpercata de couro, sem protegê os dedão, ele pegou doença dos rispingo de pipi: bicho no pé e zunha incravada e um apelido. O cabra se alembra do Professô, pelo uniforme da firma de computaria adonde o Mestre trabaiava, a Ibêmê.
    Mas nóis dá razão pra tu: a gente apreceia mais a corrida quando era na escuridão. Tanto que tamo organizando uma. Vai sê no Sábado de Carnavá em homenagem às tua história de moço inocente, saculejado pela potranca da prima Neuza do Jovis (tá lá no teu livro, história porreta). Ganha prêmio que chegá antes da meia noite. Vai sê a Corrida do Carnavá dos Mistério da Meia Noite. O precurço vai ficá alumiado em cada légua, com lamparina cheia de pirilampo. Nóis vai largá da Encruziada da Galinha Preta (mas se algum sévergonho mijá no chão vai deixá a perigança na peixeira do cangaceiro Capadócio). Adispois, desce as Duna do Curupira, atravessa o Manguezal da Gia, cruza o Coqueiral de Zé Pelado, contorna o Çumitério de Odorico (ali é bom se benzê pra num pegá encosto de assombração), sobe o Morro do Coisa Ruim e pega o retão da Trilha dos Aratu, pra chegá com foguetório de fuzil e garrucha, bem na porta da Zona da Nenzinha dos Ai Ai Ai. Os prêmio vai sê trepada de cortesia pra quem subi no pódio. Têje convidado, Mestre Astromar. A Nenzinha promete um servicinho especial pra tu.
    O tenente da volante fêz jura qui num vai tá bulindo com o bando no dia da Corrida. Ele mais a tropa vai corrê tudim junto cum nóis. A gente não podemos deixá um macaco ganhá, Professô. Pru causa disso queria pedi pra tu um aucilho: prepara aí nosso treinamento, que nem tu faz pra ficá medalhento. Pode mandá em palmilha equicéu que a gente tem computadô. Ganhemo um lépitópi uaifai do vigário da Paróquia de São Cabral Tísico.
    A gente temo que mandá os macaco pra segudona, que nem o Curintxa dos Gavião Depenado. Nossas agradecência pra tu.
    Sua beça, meu Professô.
    Capitão Raimundo Nonato
     

  15. Delicado da Kibon disse:

    Professor,
    Esse Capitão Nonato, seu eterno aluno, anda caprichando no vocabulário e na ortografia.  Tive até que recorrer ao nosso amigo Aurélio para descobrir que tísico vem de tísica, uma  doença pulmonar.  Já a ortografia dos termos novos que o Aurélio ainda não adotou, é de chorar de rir. Pode um expert da Ibêmê usar palmilha de equicéu num lépitópi uaifai ??? É genialidade a dar com o pé (dentro da alpercata de couro)!!!Delicado da Kibon

  16. Luz de Pedra disse:

    Do Nonato : "Ganhemo um lépitópi uaifai do vigário da Paróquia de São Cabral Tísico".
                      "Palmilha em equicéu" 
    Lépitópi que se preze só de portuga, com missa rezada em euro.

  17. Claudia B disse:

    Espetacular o seu espaço. Um tesouro de narrativa, conhecimento e experiência. Estou certa que essa brincadeirinha de que você tem mais de 100 anos é barreira de anonimato. Sua beleza e forma física reforçam o encanto. Tomei a liberdade de escrever um email para você. Gostaria que trocássemos parágrafos.
    Feliz 2008, Professor.

  18. Voyeur de Wayzata disse:

    Professor,
     
    Só pelo comentario abaixo de Claudia B. a poética narrativa da São Silvestre já valeu  :  "sua beleza e forma fìsica…" . Wow… Como dirá o Capitão Raimundo Nonato, " tô rripiado…".
    Saiba que aqui na vizinhança do Polo Norte também temos a nossa corridinha de fim de ano. É a tradicional " Find Dick Race". Funciona assim : no dia 1° de janeiro, às 5:30 da matina, o sol teimando em não sair, temperatura de menos 20° C,  descendentes dos Vikings aparecem à beira do Lake Minnetonka (http://www.lakeminnetonka.com/), ainda completamente bêbados da véspera, para alinhar-se para a corrida. A saída sempre é de um dos vários cemiterios antigos das tribos dos Dakota e a distância até a chegada é de exatos 50 mts lago adentro, onde o gêlo foi quebrado e um "buraco-piscina" de uns 20 m2 os aguarda…Alguns sobem em tumbas pra fazer discurso de Ano Novo, outros dormem em mausoléus, mas todos seguem o mesmo ritual : estão nus e segurando um tacape… A juiza de largada geralmente é uma mulher enorme e gorda – com peruca de esposa de Viking, com tranças enormes e duas bochechas super-vermelhas – e o sinal de largada, depois do "on your marks", é um sonoro peidinho…Todos saem correndo – na verdade, tropeçando – em direção ao buraco-piscina, muitos òbviamente escorregando no gelo da margem, e……………….tchbum, mergulham nus na água. Ato contínuo, cada um é imediata e literalmente içado, embrulhado em toalha quente e presenteado com uma caneca de Egg Nog fervendo. Em seguida, a juíza gorda decreta o inicio da celebração do ano novo gritando uma pergunta aos participantes : " DID YOU FIND DICK ?! ". Todos, então, abrem suas toalhas, olham para seus genitais, e não havendo encontrado absolutamente nada, respondem à juiza : " DICK IS IN THE FOREST ! ". E mais uma vez a corrida é encerrada sem um vencedor, seguindo a tradição da lenda…
     
    Um Inspirado Ano Novo para você, Tchitcha…

  19. Amanda disse:

    Olá, meu nome é Amanda e eu estou pesquisando sobre a história das máscaras de Veneza, mas acho somente informações muito superficiais. Basicamente o que sei é que elas eram utilizadas nas religiões pagãs italianas, mas depois homens, mulheres e crianças (por volta do séc XVIII andavam pelas ruas mascarados e fizeram a lei de Doge que proibia tal atitude por facilitar o disfarce dos assassinos, a partir de então elas apareceram somente e bailes de máscaras, teatros, e no carnaval.Eu gostaria de saber mais sobre elas, como surgiram na Italia, quais as principais religiões pagãs de Veneza na época em que eram usadas, o que as popularizou e fez com que a população resolvesse usá-las nas ruas, fora dos rituais religiosos, coisas assim, mas não consigo achar essas informações.Tu saberias me dar essas informações ou me indicar sites e/ou livros que contemplem minha curiosidade? Desculpa aparecer assim, do nada, mas achei seu endereço num site… Desde já agradeço pela atençãoAmanda Martins

  20. Professor Astromar disse:

    Oi Amanda
    Obrigado pelo sua consulta via comentário. Neste blog você vai achar um artigo meu, de fevereiro de 2007, com algumas das respostas que você procura. Adoro Veneza e já fui lá algumas vezes. Coleciono máscaras, estão numa parede aqui em casa. Além disso, dê uma olhada nesse texto abaixo e nos links que separei para você. Carnaval de VenezaO Carnaval de Veneza, na Itália, é diferente em estilo, ritmo e espírito de qualquer outro carnaval. Já em suas raízes é uma celebração de elite, intelectualizada, embora hedonística. As fantasias e as famosas máscaras venezianas inspiram-se na elegância e bom gosto dos trajes dos séculos XVII e XVIII, ou nas personagens da Commedia Dell´Arte, em que figuram os nossos conhecidos pierrôs, colombinas e polichinelos. No final do século XI, o Carnaval de Veneza aparecia nas crônicas como festejos que chegavam a durar até seis meses. Por essa época chegou-se até a regulamentar o uso das máscaras, que haviam invadido o cotidiano do povo veneziano. São comuns os relatos de abusos praticados atrás das máscaras durante e depois do carnaval de Veneza: desde a mais ingênua tentativa de sedução até o adultério; de pequenos furtos até homicídios. As autoridades proibiram o uso das máscaras no início do século XVII. Após quase desaparecer no século XIX, o Carnaval de Veneza vem, desde 1980, sendo revivido e encorajado pelas autoridades. Atrai hoje mais de 100 mil pessoas que, apesar do frio e da ameaça das marés altas que freqüentemente inundam a praça de São Marcos, para ali convergem a fim de admirar o luxo das fantasias e das máscaras. Em Veneza, nas belas mansões e palácios do Gran Canale, organizam-se também luxuosos bailes, regados a champanhe e animados por ruidosas orquestras. A alta sociedade internacional, afastada do burburinho das ruas, comparece aos salões dos hotéis de luxo, decorados a cada ano com temas retirados das óperas de Verdi. Neles dançam-se valsa, tarantela e até mesmo o samba, cada vez mais popular. O povo, por sua vez, concentrado na Praça São Marcos, se diverte de maneira bem mais desinibida.Commedia dell\’arte – Conhecida também como Comédia de Máscaras, a Commedia Dell´Arte era composta por espetáculos teatrais em prosa, muito populares na Itália e em toda a Europa na segunda metade do século XVI até meados do século XVIII. O espetáculo era baseado no improviso dos atores, que seguiam apenas um esquema elaborado pelo autor para cada cena cômica, trágica ou tragicômica. Grandes atores criavam as ações e os diálogos diante do público. Tornaram-se famosas as figuras de Arlequim, do doutor, do capitão Spaventa, de Pulcinella, Pantalone e Colombina, entre outros, com seus tipos físicos regionais, com seus dialetos e temperamentos especiais, vestimentas e máscaras características 
    http://www.carnivalofvenice.com/argomento.aspcat=2
    http://en.wikipedia.org/wiki/Carnival_of_Venice
    http://www.delpiano.com/carnival/html/history.html
    http://www.masksofvenice.co.uk/history_of_venetian_masks.html
    http://www.maskitalia.com/maskhistory.html
    http://touritaly.org/tours/venice/venice07.html
    http://www.fodors.com/world/europe/italy/venice/feature_30012.html
    Espero ter ajudado.
    Professor Astromar

  21. Capitão Raimundo Nonato disse:

    Diga lá, seu dotô Voyeur de Wayzata, Cumpadi dos Congelamento !
    Amigo do Mestre dos Mestres só pode ser cabra arretado da mulesta, cumpanhero de beberage dos bão. Si o moço ficou arrupiado com o causo do Astromar na São Silvestre, nóis fiquemo foi zaroio percurando dico no matagal adispois que terminemo o tré-lé-lé dos gringo pelado tumando banho de aicibérguios. Pois fique tu sabendo que, aqui no sertão, acuntece uma disputa, do meu bando c\’os macaco da volante, que tem muitia parecença com sua corrida de abundância congelada.
    Quando a volante prende um cabra meu, faz o pobre sentá, c\’as carça arriada, num tijelão de farinha de sirigüela misturada cum manteiga de garrafa. Depois leva o pobre pro Córrego do Buraco da Agulha e deixa ele uns 20 minuto mergulhado até o pescoço. É o tempo dum cardume de papacu rasteiro, um peixim miudim que gosta dum cantim escurim e quentim, se achegá e se ajeitá no fiofó do coitado. Depois de tirá ele das água, os safado faz o cumpanhero tumá uma mistureba de garapa de leite de jaca mole com chá de bosta de marreco mais dois dedim de remela de carcará. Tudim batido cum pinga de tiririca. Dali nem cinco minutim o cangaceiro já tá sortando rojão pela retaguarda e adevorvendo os papacu rio abaixo. Enquanto a volante acerta as aposta, contando quantos bixim entraram cumpanhero adentro, o pobre vai simbora falando fino por uns dois dia.
    Mas nóis dá troco. Si por um acauso um macaco cai na nossa tocaia, nóis ranca as carça do bicho e leva ele lá pro Açude dos Boquete de Piranha. Lá, nóis afunda ele até as zoreia e espera. O açude tá cheim daquela pirainha miúda e dentuça, a piranha chupacabra. Quando elas se achega, fica saboreando tira gosto nas parte pudica do moço. Mas na hora dele ir simbora, apavorado se inda vai tê paudurecência, nóis dá pra ele uma latinha de banha de gambá benzido com reza braba de estrovenga de jegue manco. É remédio bão, conserta o estrago das piranha. Mas fede tanto que cabrocha nenhuma se achega perto do desgraçado por uns treis meis.
    Fala pros vikingo daí que a gente podíamos fazê um campionato de mergulho de dico. No lago de gêlo, no córrego e no açude. Quem ganhá pode escolhê a bimbada: um caribu, um baitola desmunhequento ou uma loirona peituda.
    Depois tu me diz que qui tu acha.
    Um abrasso com o benzimento do Sinhô do Bonfim e do Padim Ciço Rumão Batista.
    Capitão Raimundo Nonato 

  22. Raspa do Tacho disse:

    VIKING CONGELADO X CAPITÃO RAIMUNDO NONATO

    Muito bom!!!!!!! O sertão vai virar iceberg e o iceberg vai continuar buscando dico!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  23. Luz de Pedra disse:

    VIKING CONGELADO X CAPITÃO RAIMUNDO NONATO
    Que resposta !
    – cumpanhero de beberage dos bão/nóis fiquemo foi zaroio percurando dico no matagal/aicibérguios/c’as carça arriada/Dali nem cinco minutim o cangaceiro já tá sortando rojão pela retaguarda e adevorvendo os papacu rio abaixo/apavorado se inda vai tê paudurecência.

  24. Delicado da Kibon disse:

    VIKING CONGELADO X CAPITÃO RAIMUNDO NONATO –  Sabe Professor, arrumei aqui um caderninho só para anotar a preciosidade linguística do Capitão Raimundo Nonato. Vou juntando vocabulário, ortografia, figuras de linguagem das mais criativas e muitas pérolas mais.  A sua outra admiradora, Madame Noblesse Oblige, metida a tradutora, diz que vai tentar passar para o francês. Coitada, vai penar… Delicado da Kibon

  25. Raspa do Tacho disse:

     Ontem à noite, no programa "Saia Justa" o tema era o Verão. O Verão sempre traz a sensação de que é uma estação em que alguma coisa vai acontecer, pelo menos no Rio de Janeiro, há modismos, etc. mas ao final nada se concretiza e todos vamos morrer na praia. Uma delas usou o filme Morte em Veneza, do Visconti, para ilustrar esta sensação.
    Outra coisa bem interessante que elas falaram foi: "qual a lembrança de cheiro que o verão traz para vc?" Umas disseram cheiro de Rayto de Sol, a Soninha disse cheiro da espiral para matar mosquito, a Monica se lembra de cheiros de lixo, deteriorado com mais rapidez no clima quente.
    Eu lembro de sorvete de limão, em Petrópolis, de gosto de mar depois de um belo caldo, de batom barato, usado em bailes de carnaval, de Noskote, para não queimar demais o nariz no sol de Ipanema.
    Lança aí um desafio de odores com saber de madeleine….

  26. Luz de Pedra disse:

    VIKING CONGELADO x CAPITÃO RAIMUNDO NONATO – By the way, Nonato me fez rir por horas…

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