ÓSTIA


ÓSTIA, O PORTO DO IMPÉRIO ROMANO

Um esquecido figurante protagonista da História

  

 

O alarido das atividades portuárias cessou repentinamente, como que por encanto. O mar recuou centenas de metros, encalhando  embarcações. Aristocratas romanos, comerciantes, almirantes, escravos e marujos olharam assustados para o horizonte. Uma gigantesca parede d’água se aproximava em alta velocidade quebrando o silêncio com um rugido crescente. A tsunami atingiu o porto de Óstia em cheio, na sua rota de implacável devastação. Naquele ano de 62 D.C. o terremoto que sacudira Pompéia horas antes, havia gerado uma tsunami que viajou do sul da Itália norte acima para causar uma das várias destruições de Óstia.

                                                                                                  Tsunami

  

Pompéia foi arrasada e enterrada pelo Vesúvio em 79 D.C., enquanto Óstia ficou marcada como sobrevivente de invasões inimigas, de ataques da natureza e de cataclismas econômicos. Vinte séculos passados, as duas cidades se transformaram em vitrines do dia a dia da sociedade romana na Antigüidade.

 

No entanto, se Pompéia, pelo seu fim trágico, pelo seu sumiço do mapa e pela sua redescoberta acidental virou celebridade mundial, Óstia, abandonada com o fim do Império Romano, recolheu-se como personagem secundário para historiadores e turistas. Injustamente.

 

Localizada na foz do Rio Tibre, no encontro das águas com o Mar Tirreno, Óstia está distante 30 km de Roma. Acredita-se ter sido fundada junto com a futura metrópole, no século VII A.C., em missão militar de defesa da cidade de Rômulo e Remo contra exércitos e piratas que infestavam o Mediterrâneo. No entanto, os primeiros sinais visíveis de ocupação são edifícios, artefatos, mosaicos e moedas do século III A.C., e os primeiros registros de sua história também. Nas guerras contra Cartago, tropas romanas partiram de Óstia para combater Aníbal na Espanha em 217 A.C.. Em 211 A.C., legiões comandadas por Scipião, o Africano, embarcaram dali, em trinta trirremes, para atacar e destruir definitivamente Aníbal , seus elefantes de combate e Cartago. O crescimento territorial do Império Romano através de campanhas vitoriosas de seus exércitos provocou gradativamente a mudança da razão de ser de Óstia, de porto militar para entreposto comercial. A decorrente explosão demográfica da população de Roma exigia importação de enormes quantidades de trigo, mas também demandava azeite, óleo, vinho , açúcar, tecidos e até animais exóticos ou selvagens  para sacrifícios religiosos, decoração de villas e utilização em espetáculos de vida e morte, na arena.

                              

                                                                                  Óstia no rio Tibre                                                                                   Lojas e escritórios                            

                  

                                 

                                            Mosaico de fretista                                                      Mosaico de comerciante de animais                        

 

Óstia cresceu; chegou a 100.000 habitantes, tornou-se 5 vezes maior que Pompéia. Seu perfil urbano trazia grandes armazéns, lojas e cantinas (fosse para consumo da população, fosse para abastecimento de embarcações comerciais) e uma população “internacional”, com diferentes hábitos, costumes e religiões. Uma zona. Franca, mas zona. Lupanares, centrais sindicais e patronais, senado e gangues regionais conviviam em instável equilíbrio. Volta e meia se uniam contra os terremotos e tsunamis que teimavam em castigar a cidade. Reconstrução era uma palavra comum no vocabulário ostiense.

  

                                                      

                                     Forum e Capitólio, em pleno esplendor                          Comércio no térreo, residências segundo andar

  

                                                              

                                       Colunas da antiga sede dos sindicatos patronais             Colunas dos sindicatos patronais com anfiteatro ao fundo

  

                                                    

                                                               Anfiteatro                                                                                                                  Forum

 

Como qualquer província romana, a população tinha acesso a seu fórum e seus templos, a seu teatro, a seus banhos públicos e a suas latrinas. Como os banhos, a latrina pública era uma oportunidade para socialização. Amplos espaços colocavam cidadãos lado a lado, sem divisórias, em diferentes estágios e modalidades de defecação. Ali, em meio a gases, odores e ruídos característicos da necessidade fisiológica, trocavam informações, fechavam negócios e faziam alianças políticas. Quiçá um precursor de Brasília. A higiene pré e pós-evacuação era feita com esponjas recicláveis, atadas a cabos de madeira. Concluído seu bostejante colóquio, o cidadão devolvia a esponja ao escravo de plantão, para uma duvidosa esterilização, antes da reutilização por outras nádegas. Nas residências, uma latrina servia a todos os moradores. Invejada mordomia no então. Edifícios de dois andares ladeavam as ruas de Óstia. Lojas no primeiro andar, residências no segundo, com varandas e terraços para convescotes e saraus nas arejadas noites de verão. Mansões de grandes empresários de navegação, ricos comerciantes, inúteis políticos e descartáveis nobres ocupavam áreas mais seletivas e privadas (nada a ver com as dita cujas relatadas acima). Óstia era também  o acampamento das legiões romanas. Impedidos por lei de entrar em Roma, os exércitos do império, antes ou depois de suas campanhas mundo afora, fixavam suas tendas nas planícies em torno de Óstia. Como indivíduos, no entanto, os generais, centuriões e legionários podiam usufruir das benesses das duas cidades. E contribuir para o aumento de sua população.

  

      

                         Latrinas públicas …                                               mais latrinas …                                            Chega de latrinas ?      

  

    

                    Latrina privativa em mansão                                       Interior de uma mansão, espetacular                       “Anão de jardim” de uma mansão

  

                                     

                                                            Mansão                                                                                                             Mansão                                                                                    

  

                                                                                        

                                                                                                   Ruas e casario, reconstituição histórica

  

                                                 

                                                                                                   Casario                                                                                         Avenida principal diante do anfiteatro

  

 Todos os imperadores romanos deixaram suas marcas em Óstia. Augusto patrocinou o anfiteatro para 3.500 espectadores; Tibério construiu o Forum; Calígula desembarcou ali os cadáveres de sua mãe e irmão, após comprovado matricídio e fraticídio; Cláudio construiu um novo porto para embarcações de maior calado; Nero promoveu a reconstrução de Óstia após a tsunami de 62 A.C.; Vespasiano e Flavio encomendaram aos engenheiros navais de Óstia o vellarium do Coliseu (cobertura da arena contra sol e chuva, operada por marujos ostienses); Trajano construiu uma barreira hexagonal no porto para proteção contra as ondas gigantes; Marco Aurélio e Adriano fizeram aquedutos.

  

     

         Panorama de época e anfiteatro                                               Entrada do anfiteatro                                                                               Forum

  

   

                           Porto hexagonal na época                                            Coliseu com vellarium ao alto, em cena do filme “Gladiador” 

  

E os últimos imperadores, a partir do século II e até o século IV D.C., protagonistas do caos político e econômico do império e cujos reinados, em sua maioria, terminaram em revoltas e assassinato, deixaram em Óstia a marca da decadência irreversível. Os estragos dos terremotos e tsunamis não eram mais reparados; a cidade afundava, o rio Tibre lançava sedimentos de erosão no porto e empurrava o mar para longe. Quando Roma foi tomada por Alarico e seus visigodos, em 410 D.C., sobrou também para Óstia. Assolada por uma epidemia de febre amarela, foi presa fácil para os bárbaros, que saquearam as sobras dos últimos aristocratas. Foi abandonada totalmente no século IX D.C., após uma seqüência de ataques de piratas árabes. Durante a Idade Média, foi novamente invadida mas, dessa vez, por pastores e ovelhas. O barulhento porto comercial havia se transformado em um gigantesco espaço de silêncio. Mas seu esplendor ainda aparecia aqui e ali, emergindo do solo. Ricardo Coração de Leão, rei da Inglaterra e combatente nas Cruzadas, aportou em Óstia em 26 de agosto de 1190 e se disse impressionado com “as imensas ruínas de muros imperiais”.

 

A partir de 1557, após mais uma enchente do rio Tibre, bípedes de rapina começaram a escalpelar as ruínas da antiga cidade portuária. A Torre de Pisa e várias mansões da Roma renascentista foram construídas com mármore e granito dos prédios e muralhas de Óstia. A pilhagem se estendeu a artefatos, estátuas, afrescos e mosaicos, que foram integrar coleções particulares mundo afora (na sua maioria, hoje expostos em museus nacionais).

 

Literalmente no fundo do poço, Óstia começou a ressurgir em 1907, quando os primeiros arqueólogos a colocaram sob uma perspectiva de pesquisa científica, trilhando a milenar Via Ostiense, estrada que liga o velho porto à moderna Roma. Até os arroubos de Mussolini foram benéficos para Óstia, tanto na seriedade dos trabalhos arqueológicos, como na publicação das monografias Scavi di Ostia, que continuam em produção, geração após geração de arqueólogos. Dois terços da cidade já foram recuperados.

 

E os turistas ? Bem, essa turma passa ao largo de Óstia, pois está muito próxima das sombras de Roma. E como achei essa preciosidade ? Naturalmente, através de micro-detalhes perceptíveis apenas aos olhos de um Peregrino da História. No filme “Gladiador”, o general-escravo Maximus Decimus Meridius sai ovacionado do Coliseu, após sua vitória contra o gladiador Tigris e seus tigres. Do meio do povaréu surge seu antigo ajudante de ordens, Cícero, que lhe entrega uma pequena bolsa de couro com duas minúsculas estatuetas de sua família assassinada. Ao ouvir que sua antiga legião está pronta para seguir suas ordens, Maximus pergunta a Cícero aonde estão acampados. Resposta, “Óstia”.

         

                 “Gladiador” : Maximus enfrenta Tigris & tigres e Cícero informa que exército está em Óstia

  

Foi a partir de então que comecei a ler e estudar tudo o que achava sobre a cidade, até chegar lá, em recente viagem à Itália. Entrei em Óstia após meia hora de táxi, a partir da porta de um hotel próximo ao Coliseu. Em dezembro, não há tours para o velho porto. Nem turistas à vista. Óstia era só minha naquela radiosa manhã de inverno.

 

Com o ingresso às ruínas na mão, a máquina do tempo funciona para trás. Nenhuma construção moderna no panorama. Nenhum poste, nada de fiação. Na caminhada pela rua principal da cidade, a Decumanus Maximus, os pés do peregrino da história procuram se ajustar às irregularidades do pavimento milenar, acentuadas pelas marcas de rodas de incontáveis veículos de carga, pacientes escultores de pedras.

                                                                         

                                                              Rua Decumanus Maximus com suas pedras e seus sulcos cavados pelas rodas de carga

  

Antes do portão principal, Porta Romana, a necrópole. Os romanos não enterravam seus mortos nos limites das cidades. Sepulcros margeavam as estradas de acesso, às vezes dividindo espaço com os crucificados. 

                      

                                                         Túmulo na necrópole                                                                                          Caminho de sombras sem eco

 

Adiante. Caminho que segue com ciprestes fazendo sombra ao eco do silêncio imperial. O ruído dos grilos se transforma na gritaria de crianças da Antigüidade brincando no entra e sai das lojas, cantinas, lavanderias. Cada estabelecimento identificado com um mosaico em preto e branco, marca registrada de Óstia.

    

                                        Padaria                                             Cantina “fast fodd” com mesa, balcão e mosaico       Ânforas para esticagem de víveres da cantina

  

   

      Mosaico de fabricante de armamentos                           Mosaico de empresa de cabotagem                                                     Mosaico de “pet shop”  

 

 

                                  Mosaico de empresa de pesca                                                              Mosaico de escritório de advocacia

  

A Decumanus Maximus corta a cidade e chega ao porto ao final de seus 1.800 metros de extensão. Só que o porto não está mais lá. A erosão do rio Tibre empurrou o mar para longe, 3 km à frente de sua praia original. Em compensação, abriu espaço para uma despercebida lanchonete e para um correto museu. Lá estão, resgatados nas escavações, estátuas, bustos e artefatos dos cidadãos de Óstia. E que continuam a chegar, pois o trabalho dos arqueólogos é interminável, ainda mais sendo executado por um coitado aqui outro acolá. Óstia é uma espécie de incubadora de arqueólogos; recém formados iniciam suas carreiras ali, no meio daquele tesouro de conhecimento, de história e de detalhes da vida de gente comum e com um universo ainda escondido para futuras gerações.

 

                                                    Museu de Óstia                                                                                   Museu de Óstia, Marco Aurélio quando jovem 

  

                         

                                                  Museu de Óstia, esposa de Marco Aurélio     Museu de Óstia, lamparinas a óleo

  

No retorno a Roma, imerso em reflexões, concluí que Óstia é um imenso vazio lotado de descobertas do por vir e que Roma poderia ter sido Roma sem Pompéia, mas não teria sido Roma sem a existência de Óstia. E, como que para comprovar minha tese, recebi de um grande amigo, no dia 11 de abril, um clip com a notícia que a polícia italiana havia descoberto o busto de Lucius Verus, co-imperador romano junto com Marco Aurélio, nos anos 160 D.C. Junto a essa preciosidade encontraram outras peças da Roma de Óstia, espólio de pirataria moderna. Estavam em um depósito clandestino, subterrâneo, próximo a Fiumicino, local do aeroporto internacional de Roma, na margem oposta à embocadura do Tibre, defronte a Óstia. Era um antigo terminal de carga do secular entreposto. Séculos após sua extinção, Óstia continua carregando e descarregando mercadorias do Império Romano. Por bem ou por mal. Ou ambos, já que as peças estarão expostas, de 24 de abril a 19 de junho, no Castelo de Sant-Angelo, antiga fortaleza papal próxima ao Vaticano. Por isso, tenho certeza que a saga continuará, com os novos e futuros achados no papel de protagonistas, tendo em Óstia um distante e, talvez esquecido, figurante.

                                       

                                                          Espólio resgatado de piratas: Lucius Verus, Faustina (mãe de Marco Aurélio) e moeda ostiense

 

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26 respostas para ÓSTIA

  1. Marcita disse:

    Káspita.
    Não aguentei. Dei uma pausa no meu trabalho e fui ver Óstia.
    Viajei junto. E aqueles pedregulhos, é como se estivesse escutando o barulho das rodas trepidando sobre.
    Quando estou num lugar destes, me transporto.  Queria estar lá.  
    Aprendi também porque as embarcações se chamam trirremes.
    Quanto às latrinas, vi muitas destas em cidadezinhas medievais no interior da França. Tirei até foto
    sentada numa. Ridícula fiquei.
    Agora já sei de onde vem os hábitos de algum povinho da favela…… De lá, com aquelas esponjas
    nojentas passando de um para outro, e com certeza, higiene ZERO.
    E quanto à da mansão (desculpe-me a comparação) – remontei ao passado – algumas fotos da casa
    de Clodovil. No banheiro dele, a bacia sanitária ficava exatamente no meio de um jardim, isolada do
    resto do banheiro. Tal e qual.   
    Professor, delícia poder viajar virtualmente assim com você. 
    Quero continuar viajando nestas suas expedições.
    Beijokas

  2. Malu disse:

    Professor Astromar,
    Ao receber a notícia da máteria sobre Óstia, parei tudo o que estava fazendo e aproveitei para aderir a essa viagem!  E, sinceramente, não me arrependi: valeu a pena poder "passear" (ainda que virtualmente)  por lá, conhecer as ruínas, identificar o que eram, e, principalmente, acompanhar a sua narrativa detalhada, e extremamente interessante!
    Só posso agradecer-lhe por haver me proporcionado momentos tão agradáveis quanto esse nosso "tour virtual" a Óstia, além, é claro de ter transmitido informações sobre as quais eu não tinha idéia!
    Beijos,
     

  3. Narciso Rujol disse:

    Medalha de ouro na matéria sobre Óstia …
    Abs,
    N.R.

  4. Lilly disse:

    Bravíssimo professor! Que viagem! Sua narrativa me levou até Óstia e lá fui eu, como em um filme, passear pelas ruínas, deslumbrada com as descobertas e novos conhecimentos.Obrigada professor, por mais uma viagem inesquecível.abreijos,

  5. Delicado da Kibon disse:

    Professor,
    as fãs já soltaram o verbo, agora chegou a vez da mais antiga, a primeira de todas, a mais metida…
    Aula virtual de história com pitadas de humor contribue para amenizar dias cinzentos. Companheiros admiradores, vão me desculpar, não estou esnobando, mas Óstia fica nas minhas redondezas  e sugestão do Professor Astromar é para ser seguida à risca, logo vou lá ter..
    DK

  6. Professor Astromar disse:

    Delicada Delicado
    Vá  a Óstia curtir o silêncio. Visite o museu. Caminhe sobre as pedras  dos 1.800 m da Decumanus Maximus. Tome um café na lanchonete moderna e coma um panini de mentirinha na taverna milenar. Sente numa latrina e converse com ninguém a seu lado. Imagine assistir Medea no anfiteatro e pechinchar nas fileiras de lojas. Decifre os mosaicos em branco e preto. Veja guardado  no museu o que o povo guardava. Atravesse a necrópole com respeito, e volte a Roma avaliando o que ela teria sido sem Óstia. Depois, me conte.
    Professor Astromar

  7. Catita Saúva disse:

    Mestre professô
    O sinhô, cum todo respeito que lhe é devido, apronta cada uma para nós que é di arrepiar… Corredor famoso de maratonas por esse mundão afora, quando passeia lá pelas ruínas das europias muda o passo para peregrino-viajante que vê e ouve coisas que somente um cabra que tem ôiô e escutadô arretados é capaz! Nóis aqui, no bando do meu capitão só sabemo das ruínas das securas – tsunami pranóis é areia nos ôios qui faz chororê de ardido. Capitão Nonato reuniu o bando para contar mais esta estória e foi um tal de todo mundo falar ao mesmo tempo, querendo entender pra que tanta latrina si aqui a gente resolve só cavando um buraco na areia… Nóis não entendeu direitio esse negóceo de rio que empurra marzão para longe – aqui os rio tudo seca e se não vier a chuva, desaparece.Eu, persoarmente não entendi busto e peitão que tem cara de gente, mas capitão disse que adispois exprica mió.Cum sua licença, o sinhô quer murdar a estória ou inventar otra? Esse negócio de que "Óstia é um imenso vazio lotado de descobertas do por vir e que Roma poderia ter sido Roma sem Pompéia, mas não teria sido Roma sem a existência de Óstia" deu um nó no nosso pensador e nos alembramos da galinha e do ôvo qui nunquinha conseguimos intender quem começou tudo. Num sabemo esse negócio de outras vidas mas também fiquei apensando nas minhas refrexão e tô achando que o mestre já andou por essas terras e deve ter um busto do professô qui quarquer hora esses moços qui desenterra tudo vai achar. Mando um abreijo escondido pro professô – conta não pro meu capitão qui ele pensa qui meu coração é só dele…
    Cumadre Catita Saúva 

  8. Capitão Raimundo Nonato disse:

    Mestre dos Mestres
    Primeiramente,quero agradecê seu acoito de irmão, me dando pousada em minha viaje a Sumpaulo nesses dia. O Congrécio do PCC foi uma bosta, pois esses cara tem tudo do bom e do mió, num sabe o que é cumê rato e filé de jararaca quando a fome aperta no acoito do sertão. Já a reunião com o Capitão do BOPE, a volante dos macaco de elite, foi porreta. Os cara cômi até vomito no chão, que nem lavaje pra porco. Gostei quando eles grita "Pede pra saí, pede pra saí". Ajudou muito quando eu tarra sentado na latrina fazendo força. Com o "pede pra saí", saiu tudim, e imagino como os romano lá da Óstia gritava quando tarra lado a lado com os patriço naqueles cagatório tipo roda de samba. Será que é mesmo "Demandus at saliturii", como tu me falô ?
    Segundamente, foi um presentão assisti sua aula do porto do império romano no Oditóro da Academia Berlinghieri de História. Uma beleza sua declamação "Sob a Luz dos Pirilampo" e agradecido pelo ortógrafo no livro. Apreceei tumém cumê pitiça de paulista lá na tar da Pitiça Rute. 
    Terceiramente, tô achando que Óstia devia ser uma cidade nordestina. Poderia ficar na margem do açude da Penitência, no meu Ceará, onde as jangada e os barco de carranca leva e trás as tropa do cangaço, munição de pórva e pedra de afiá peixeira. Fora os peixe graudão e os guaiamum de praia qui tu teima em chamá de siri. E tumém trás de frete as muié nova que vem se juntá a nóis. Tordia chegou uma mocinha bonita que só e danada com a peixeira. Já capô três sévergonho que viero cum graça pra cima dela. É a Cumadi Catita Saúva. Carece dizê que Saúva num tem nada a vê cum bundão, mas sim pruquê a moça trabaia cas renda de bilro que nem só. Muié rendeira de mão cheia, mas tagarela que nem arara. Já chegou no acampamento contando tua história de Óstia, na maió confusão. Onjáciviu fazê cocô em buraco na areia ? Onjáciviu ficá cum nó em pensadô prucauso qui tu escreveu de carreirinha ? Onjaciviu achá que busto de imperadô é peitão com barba ? Onjaciviu ? Pegá tua história e aremedá tudim cum si era fofoca de muié ? Onjaciviu ? Nem num sabe que qui é tesunâmio e fica de lero-lero. Vou rolá um conversê cum ela pra manerá nos devaneio. Fica mal pra tu e pra eu.
    Escrevo da boléia de um caminhão que vai pro Guarujá, junto com uns cabra de surfis. Nóis vai esperá o tsunâmio que vem aí adispois desse treme-treme que pegou Sumpaulo cas carça arriada. E eu vô surfá nele de carona inté a Praia do Ronca e Fuça. Tsunâmio que é tsunâmio se borra de passá além desse acolá. Vira tudim marolinha afrescalhada. É a praia do demo.
    Sua bença, meu professô i inté outro ora ora numa hora dessas.
    Capitão Raimundo Nonato 

  9. Paulistinha de Genebra disse:

    Professor Astromar,o senhor sentiu o terremoto anteontem em São Paulo ? Minha comadre disse que foi o Lula caindo de bêbado que chacoalhou tudo…

  10. Delicado da Kibon disse:

    E o Capitão Raimundo Nonato, sempre genial!

  11. Voyeur de Wayzata disse:

    Profe,
    Pra variar, seu relato é teimosamente brilhante. Guardadas as diferenças entre o tempo e os protagonistas, contudo a semelhança de detalhes como a sua proximidade a um grande centro, as invasões bárbaras de que foi vítima, e pelas tragedias naturais e os absurdos saques efetuados, Ostia bem que pode ser a cidade gêmea ou irmã da nossa amada Petrópolis…
    Uma vez mais v. me faz um melhor cidadão do mundo.
    Até o Rio ! Em 13 de Maio aboliremos a separação de 47 anos…
    Voyeur

  12. Patrícia disse:

    Soberbo, magnífico, inebriante. Estou, de fato, absolutamente encantada com Óstia. Pesquisa e relato dignos de uma publicação de capa dura🙂
    13 de maio, como assim?
    Beijos,
    S.

  13. Paulo Érika disse:

    Cara, você é simplesmente perfeito. Texto muito bem redigido com belas ilustrações. Como fazer para receber esses trabahos regularmente?
    Vida longa, longuíssima pro Astromar
    Muito grato

  14. Paulo Érika disse:

    Astromar, tomei a liberdade de passar seu blog para um grupo de amigos…
    "Para vcs não acharem que eu só mando porcarias, aí vai um pouco de cultura p/ essas mentes inguinorantes".

  15. Semerjian disse:

    Cara, a reconstituição do interior da mansão é simplesmente sensacional. Além disso, uma das coisas que mais me chamaram atenção foram os mosaicos. Quando fui a Roma, mais especificamente em Caracalla, aquilo é um monte de ruínas, OK… mas o chão de alguns salões de lá tem mosaicos de uma beleza absurda. A ostentação dos caras naquela época devia ser de chorar.

  16. Leninha disse:

    Professor,não sei qual é o seu mistério,mas vc consegue transportar-me aos lugares quando leio sempre seus artigos,sua narrativa é fantástica. Não sei o poder que vc tem. Fico impressionada como vc consegue descobrir estes lugares maravilhosos e inexistentes a tanta gente.Sua cultura surpreende-me cada vez mais que te conheço. Peço a Deus q cuide muito bem de vc e que vc não se esqueça de mandar-me para eu poder ler estes artigos prodigiosos, incríveis durante anos ainda. Mais uma vez, obrigada e conto os minutos para o próximo.Com grande carinhoLeninha

  17. Faustinho disse:

    Meu caro Professor de História Astromarius Fluminensius,
    se este é o seu melhor texto, eu não sei. Mas que é o mais cheio de detalhes impressionantes, isso eu não tenho dúvidas. Ao ler a descrição, sinto que Óstia é feita de aventura, drama, comédia, suspense e, principalmente, de muitas histórias ainda não contadas e que serão reveladas ao mundo na velocidade de um conta-gotas em que cada gota nos fará querer, cada vez mais, conhecer Óstia de perto.
    Forte abraço,

  18. Eduardo Zdanowicz disse:

    Olá Professor! Sou aluno da UFRGS do curso de Arquitetura e estou fazendo um trabalho sobre a cidade de Óstia. Li uma matéria muito interessante de sua autoria sobre o assunto no site: http://berlinghieri.spaces.live.com/blog/cns!40110D554068A528!1364.entry e gostaria de saber se o senhor não teria mais informações sobre a cidade, tais como: a disposição geral do edifícios, obras específicos, aspectos históricos, entre outros assuntos. Desde agradeço muito!Att., Eduardo Zdanowicz
    Mar.20

  19. Professor Astromar disse:

    Oi Eduardo
    Obrigado pelo comentário sobre meu texto referente a Óstia. Para mim, Óstia é uma pérola meio perdida. Pouco conhecida fora da região de Roma. Além disso, sem contar a Internet, só conheço uma obra disponível, que acabou de sair em paperback (a descrição do livro está na edição hard cover).Selecionei esse material abaixo para você, na linha do interesse que você apontou. Espero que ajude. Boa sorte no trabalho e, se possível, mande para mim ao final.
    1 abraço
    Professor Astromar

    Sites
    http://www.ostia-antica.org/
    http://www.initaly.com/regions/latium/ostia.htmhttp://en.wikipedia.org/wiki/Ostia_Antica_(archaeological_site)http://www.ostia-ostie.net/indexEN.html

    Livro
    http://search.barnesandnoble.com/Daily-Life-in-the-Roman-City/Gregory-S-Aldrete/e/9780313331749/?itm=2
    http://search.barnesandnoble.com/Daily-Life-in-the-Roman-City/Gregory-S-Aldrete/e/9780806140278/?itm=6

  20. Marco Biato disse:

    Professor Astomar, agradeço a excelente matéria. Já estive em Roma por 2 vezes e não tive a oportunidade de conhecer essa maravilha da civilização. No momento, estou programando minha próxima viagem à Europa para abril-2011 e já reservei um dia para conhecer Óstia. Um abraço. Marco Biato.

    • Caro Marco
      Agradeço muito seu comentário. Uma das razões para eu ter esse blog é poder compartilhar histórias e História. Império Romano é um dos meus assuntos prediletos. Como você, eu já havia ido a Roma duas vezes sem visitar Óstia. Da terceira vez, com a dica no filme “Gladiador”, fui e quero voltar. Na mesma viagem revisitei Villa d’Este, em Tivoli e conheci Villa Hadriana. Imperdíveis, se você ainda não esteve lá. Ainda mais sendo próximas de Roma, como Óstia. Dá para visitar as duas em uma manhã ou em uma tarde.
      Agradeceria muito se você me contasse suas experiencias na volta da viagem.
      Buona fortuna.
      Professor Astromar

  21. Ana Cristina Bento Ribeiro disse:

    Professor Astromar,
    conheci Óstia em 1961!!!acredite tinha 8 aninhos qdo meu pai era da marinha e fomos morar em Roma. Nunca esquecemos esse passeio pois queríamos ver o mar…nossa mãe não nos passou a parte historica do lugar pois de repente achava q eramos mto pequenos para entender!!que pena!!!agora pretendo voltar com certeza com outro olhar e thanks pela aula!!

    • Ana
      Só fui a Óstia na terceira vez em que estive em Roma, e só a encontrei depois de perceber uma citação passageira no filme “Gladiador” e de ler um livro sobre Julio César. Ou seja, cheguei a Óstia por ter aprendido que as legiões romanas não podiam entrar na cidade. Só em caso de marcha tiunfal. Aquilo é uma Pompéia desconhecida. Não havia quase ninguém lá quando fui, em 2006. Como você, vou voltar, mas é impressionante você ter estado lá em 1961! Você aprendeu italiano também?
      Obrigado pelo comentário.
      Professor Astromar

      • Ana Cristina Bento Ribeiro disse:

        Pois é foi quase no tempo de julio cesar!!!Imagina no meu olhar infantil fiquei impressonada com a cor do mar e c aquelas cabines para trocar de roupa. Com certeza assimilamos o italiano, criança é fogo!!E fica escondidinho na gente qdo voltamos lá lembramos muita coisa!Eu tenho algumas coisas escritas sobre esse periodo muito feliz da nossa vida, inesquecível mesmo!!A Vila Borghese era o nosso jardim botânico, moramos num apart em Parioli onde se hospedavam os astros do cinema, estavam filmando Ben Hur e o elenco td lá…muita coisa p contar!!!A Cinecitta estava no auge!

  22. Ana
    Você descreve Óstia como uma daqueles balneários dos anos 30… Ôloko! Mais antigo que você, eu fui ver a Óstia Antica, ao lado, de onde há 3.000 saíram os caranguejos gregos blindados que hoje passeiam pelo Mercado de Trajano. Verdade!
    Grazie por questa meravigliosa memorabilia.
    Professor Astromar

  23. Minerinho do aché disse:

    Fessô…
    Waleu há haula de óstia foi um çhou.
    vez outra vô la cunhecê

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