NEW YORK CITY MARATHON


 

MARATONA DE NOVA YORK

42km de adrenalina, incerteza, dor e …

O que eu imaginava ser um passeio no parque foi, na verdade, um  pesadelo no parque. Naquele início de tarde de domingo, atravessei a marca dos 35km da New York City Marathon consumido por dores em todo o corpo. As cores impressionistas das folhas outonais do Central Park emolduravam meu cansaço de derrotado. Como seguir em frente? Como vencer o paredão vertical que minha visão delirante enxergava naqueles 7.195 metros finais de uma corrida que havia começado bem antes de sua largada?

Meu sonho com a Maratona de Nova York bocejou na década de 80. Naquela época, além da São Silvestre, Nova York era a única corrida de rua transmitida pela televisão brasileira. Assisti várias delas, esparramado em sofás e almofadões, antes ser levado a Manhattan pelo meu trabalho na IBM. E foi “in loco” que aprendi a reconhecer a “blue line” – a marcação oficial do percurso da maratona – no asfalto da Big Apple. Em alguns pontos, uma linha apagada pela passagem de veículos, aguardando nova demão de azul para a próxima edição do evento; em outros, ainda bem viva como tinta fresca disfarçada. Aos poucos, em treinos de corrida encaixados entre compromissos profissionais, ao longo de sei lá quantas viagens, fui me familiarizando com os últimos trechos da prova, sempre dentro do Central Park. Experimentei as facetas meteorológicas da “blue-line” em todas as estações do ano. Antes de sonhar com a linha de chegada, eu passei por ela várias vezes, ali, diante do restaurante Tavern-on-the-Green, o marco final da maratona. Em 1983, trouxe na bagagem o rascunho do sonho: o poster da Maratona de Nova York daquele ano, marcada para domingo, 23 de outubro. Nunca mais me separei daquela gravura obsessiva.      

Não há como dissociar a palavra “maratona” de dois ícones: a corrida heróica e suicida do soldado ateniense Feidípides, no ano 490 A.C., para anunciar a vitória de seus companheiros de falanges sobre o gigantesco e invicto exército persa, na Batalha de Maratona, e as imagens da cidade de Nova York. Se Feidípides levou a maratona para as Olimpíadas, Nova York a levou para o mundo. Antes de acontecer em Nova York, maratonas se diluíam em eventos modestos (que me perdoem os pioneiros da centenária Maratona de Boston), congregando atletas interessados nos limites da resistência humana. Alguns curiosos espiavam, com espanto, aquilo que era considerado uma demonstração de insanidade coletiva. O New York Road Runners’s Club (NYRRC) e um visionário chamado Fred Lebow mudaram tudo isso. Hoje, as maratonas são colossais eventos de mídia, que tomam de assalto as principais cidades do mundo, movimentando milhares de corredores e milhões de expectadores nas ruas. Mas nenhuma maratona bate a de Nova York como  “griffe”.  Todas se inspiram nela. A maratona moderna deve a Nova York sua vida e seu “status” de mega-evento globalizado .

No entanto, a primeira Maratona de Nova York passou quase despercebida. Em 1970, 127 corredores pagaram 1 dólar para percorrer 42.195 metros, repetindo diversas vezes um circuito dentro do Central Park. Menos da metade concluiu a prova, foram 55 abnegados. Seis anos mais tarde, Fred Lebow redesenhou todo o percurso. Decidiu dar a Nova York o papel de um gigantesco cartão postal em movimento, fazendo os corredores passar pelos cinco distritos da cidade. Um trajeto de ponto a ponto, com partida em Staten Island, consumo de quilometragem pelo Brooklyn, Queens  e Bronx, até Manhattan, com direito a escaladas em cinco pontes e travessia por doze cenários cultural e etnicamente  diversos (e, por vezes, adversos). “Se você construir isso, eles virão”, foi dito a Fred Lebow. E eles vieram. Em 1976, na inauguração do novo percurso, 2.100 corredores estavam na largada. Entre eles o campeão olímpico Frank Shorter. Milhares de expectadores foram para as ruas aplaudir os participantes, televisão e jornais levaram imagens da corrida aos cinco continentes. A configuração diferenciada de atletismo com espírito comunitário e charme urbano fez a Maratona de Nova York explodir. Atração irresistível para multidões crescentes de atletas de elite, de celebridades e de anônimos amadores americanos e estrangeiros.

Inacreditáveis 9.000 participantes de 1978 tornaram-se uma fração menor dos 30.000 de 1993 e ínfima dos 45.000 de 2010. A norueguesa Grete Waitz venceu a prova nove vezes, o americano Bill Rodgers, quatro. A participação brasileira, não tem sido modesta e destaca Osmiro de Souza Silva, 4º. colocado em 1992, Márcia Narloch, 4ª. colocada em 1993, e Marilson dos Santos, campeão em 2006 e em 2008. Milhões de expectadores se alinham ao longo da “blue line” no primeiro domingo de cada novembro. Aos gritos, incentivam do primeiro ao último colocado.  Música de 130 bandas internacionais se distribuem pelos 42 km, de Staten Island a Manhattan. A última, incendeia qualquer alma, a 400 metros da “finish line”. Fortaleza a ser conquistada por dentro, mas invencível em investidas de fora, a Maratona de Nova York resistiu ao ataque terrorista que vitimou o World Trade Center. Menos de dois meses após a tragédia, sob comoção e um fortíssimo esquema de segurança, o percurso acolheu o inigualável caleidoscópio de seu gigantesco elenco.

Confesso que não consigo passear por estas minhas próprias linhas sem me emocionar.  Minha largada para a Maratona de Nova York foi acontecendo a cada olhada para aquele poster de 1983. Decorando centímetro por centímetro da imagem dos primeiros metros da prova, sobre a Verrazano Narrows Bridge, ia gradativamente me afastando da promessa pessoal de não repetir o sofrimento da Maratona do Rio de Janeiro de 1981. No início de 1993, finalmente consegui lugar na quota de inscrições para participantes internacionais. E comecei a treinar para um domingo de novembro.

Cheguei a Nova York quinta feira, após reuniões de trabalho em New Orleans, LA e Mount Pleasant, NY. O Hotel Marriott Marquis abria janelas para o coração pulsante da Maratona, Times Square, com incansáveis colagens sobre a corrida projetadas no mais famoso telão do mundo. A NYC Marathon Expo, ali tão próxima, no New York Hilton, esticava cordões humanos pelas calçadas, cada elo esperando a vez de retirar seu “kit” de corrida: sacola com número oficial, alfinetes, identificação, instruções, panfletos, amostras úteis e inúteis, e até, como um combatente a caminho do D-Day, pílulas contra dor e enjôo. Um prenúncio. Na enorme fila, desconhecidos se conheciam. O alarido das conversas disputava decibéis com a risada dos participantes. Adrenalina. Encontrei um senhor inglês que iria participar de sua 100ª. maratona.  Um louva-deus chinês impressionava, num inglês de solfejos, pelo feito de haver completado uma maratona em cada domingo daquele ano. Manchas alaranjadas como neon indicavam contingentes holandeses, competindo com os bleu-blanc-rouge da França, as mais numerosas delegações estrangeiras. Internacional. Encontro de nações, todos os idiomas em um só espírito.

O Sábado chegou ainda mais globalizado. Show de tambores japoneses diante da ONU sinalizou largada para a International Breakfast Run, um ‘’jogging” de 12km para os participantes de outros países. Impressionante imagem do mosaico de bandeiras pela Sexta Avenida, até um megalômano café da manhã, no Central Park, onde todos já eram amigos de infância. Adrenalina. Despedimo-nos trocando “buttons”, como colegiais trocam figurinhas, marcando um novo encontro para a manhã de domingo. Fria no frio da noite: considero o jantar de massas da véspera da prova, no Tavern-on-the-Green,  um evento coletivo individual sem valor agregado. Hora marcada para cada participante, porções singelas de macarrão, pizza ou lasagna servidas em alta velocidade e mastigadas sob pressão para liberar espaço para o próximo da fila.

 

A temperatura de 6 graus se prolongou por uma noite mal dormida e continuou pelas preparações na escuridão da madrugada de domingo. Incerteza.  Deixei o hotel caminhando sob um céu gelado de estrelas. Ninguém nas ruas. Mas, à medida que me aproximava da Biblioteca de Nova York, como fantasmas saídos do nada, os corredores se multiplicavam. A fila de ônibus roncava e soltava fumaça como blindados de guerra. Era o transporte para o ponto da largada. Sentado em banco da segunda fila, vendo os quilômetros ficarem para trás, senti medo, estava na escuridão do desconhecido. Caiu a ficha de que teria de fazer todo o percurso de volta a pé, correndo. Incerteza.  

A concentração dos corredores, no Fort Wadsworth, instalação militar do século XVII, junto ao pedágio da ponte Verrazano Narrows, na largada da prova, aumenta a ansiedade. Faltam cerca de quatro horas para o hino americano e o tiro de canhão liberarem a multidão. Barracas gigantescas oferecem refúgios de reflexão e relaxamento, abrigo contra o frio. Caminhões tanque de café, chá e chocolate quente estão espalhados pela área, ao lado de imensos tabuleiros de pão e frutas. Uma canaleta a céu aberto, gigantesco e democrático urinol masculino, serpenteia pelo perímetro do imenso  terreno. Ritos religiosos acontecem aqui, ali. Fui à missa e comunguei. Na homilia, Padre Francisco Rodriguez adivinhou meus pensamentos: “ Esta maratona nos traz amor, esperança, união, alegria, solidariedade, companheirismo  –  como a palavra de Deus”.

 

A convocação para a largada, cerca de 40 minutos antes da hora H, deflagra um processo meio lunar, quase alienígena: a multidão se arrasta pela via de acesso, atirando nas árvores, no chão ou em caixas de coleta, peças de roupas e agasalhos considerados descartáveis. Fato acentuado naquele dia, pelo gradiente de temperatura, alçada dos 6 aos 25 graus centígrados.  Acompanhando a procissão, voluntários recolhem tudo que puder ser destinado à caridade. 

Posicionei-me bem  no final da largada, junto ao pedágio. Sem aperto, podia me movimentar à vontade, tocando vez por outra um alfinete que prendia a imagem de um anjo da guarda me acolhendo. O canhão histórico da Guerra Civil anunciou, finalmente, a hora da verdade. Dezesseis longos minutos me consumiram até passar pela faixa “START”. Minha mente se esvaziou, extasiada, diante da visão dramática da gigantesca ponte totalmente tomada pelo confete colorido de milhares de corredores. Ali já acontece a primeira crueldade, uma subida longa e difícil, amenizada pela visão do perfil dos edifícios de Manhattan em contraste com o azul do mar pontilhado por chafarizes altíssimos, produzidos por rebocadores. Adrenalina. Senti-me homenageado. No Brooklyn (km 5), mais adrenalina, longo trecho plano e reto, povo nas calçadas e bandas nos canteiros centrais me fizeram irresponsavelmente correr mais forte. Comecei a pagar o preço, sofrendo cada vez mais na subida de cada ponte. Passei a reparar na feiúra de certas regiões bem detonadas. Me lembrei dos piores trechos da São Silvestre. Incerteza. Água, Gatorade, bananas e pão italiano, recolhidos nos tabuleiros espalhados pelo percurso foram me estabilizando, equilibrando o pulso em 157 bpm. O arborizado Queens (km 15) me fez bem, a entrada em Manhattan pela Queensboro Bridge (km 25) me zerou, mesmo com o cruel alpinismo da ponte. Atravessei o retão da First Avenue (km 30) meio em alfa. Mas comecei a degustar um cansaço definitivo no vazio decadente do Bronx  (km 32) e nas esquinas talvez inseguras do Harlem (km 34). Veio a depressão. Incerteza.   

Minha esperança era o Central Park, meu conhecido Central Park. Fantasiava que ali estava a garantia de conclusão da maratona. Mas um nocaute psicológico refletiu-se como dor no corpo todo. Os 7 km restantes pareciam outra maratona. O Central Park virou um inimigo desconhecido, com suas surpreendentes e inacreditáveis subidas. O aplauso da multidão sumiu, já que ela simplesmente não estava lá. Comecei a andar, como um retirante derrotado. Incerteza e dor. Fui socorrido na altura do Museu Gugenheim. Fadinhas da terceira idade, de touca de lã, cachecol, luvas e bochechas rosadas me ofereceram uma sagrada Coca Cola, embalada por  “Dont’ stop, almost there! It’s only a couple of miles left. To the end, sir, to the end!”. Adrenalina venceu a dor e trouxe de volta o corredor. A multidão reapareceu e empurrou como um êmbolo mágico. A saída do parque, onde as carruagens fazem ponto, indicou a última milha. Nem reparei no odor eqüino. Na reta até Columbus Circle fui abençoado pelo sinal da cruz e pelo toque na imagem de meu anjo da guarda. Acelerei. Só via borrões coloridos. Dor transformada em sorriso. Reconheci os acordes de “Simply the Best” na última banda de rock, na marca da milha 26. Adrenalina. Faltavam 400 metros. Acelerei mais. Ali, o parque era um funil margeado por arquibancadas lotadas. Do alto da última subida enxerguei a faixa mágica, FINISH. O clamor da multidão abafou as palavras da locutora oficial, “Bring them in, folks, bring them in”. Sprint final. Sorriso escancarado, parei o cronômetro. Glória.  Segundos depois do nada, dei conta do meu traje de batata assada, enrolado em um cobertor aluminizado e com uma medalha no pescoço.

Nas curvas seguintes do Central Park, veio a dificuldade de caminhar, renovaram-se as dores musculares. Sombras do fim de tarde clonaram todos os corredores; a procissão dos vitoriosos esgotados. Parada nos ônibus para retirar as mochilas, dissolução na praça do encontro marcado com amigos e familiares. Curti minha euforia na solidão, diante de um momento eterno.                                                              

No dia seguinte, como um inválido, arrastei-me até o Tavern-on-the-Green. O parque já estava limpo. O único sinal da maratona estava pintado no chão, a “blue line” interrompida pelas palavras “New York City Marathon – Finish Line”.

Nas semanas seguintes recebi pelo correio várias fotografias da corrida, meu diploma de conclusão, um quadro emoldurado com placa comemorativa e medalha, um documentário e um vídeo  sobre minha participação, em trechos da largada na Verrazano Bridge até o Central Park e mais a chegada, com direito a “replay” em câmara lenta. Início e fim da minha New York City Marathon separam-se por poucos centímetros: para fazer companhia ao poster inspirador de 1983 tinha viajado, meio castigado, o de 1993.  

 

Nos anos seguintes, nas décadas que foram passando, sempre revivi aquele dia em Nova York outra vez, novamente e de novo. Todas as manhãs. Na janela de meu quarto, a primeira coisa que vejo ao despertar é um adesivo. O tempo vai fugindo da gente, mas aquele momento de glória fica para sempre.

 

Caderno de Anotações

1.  A Maratona de Nova York não para de se atualizar. Todos os corredores usam um “chip” que possibilita registrar seu tempo real de percurso dos 42,195 km. Fato corriqueiro em qualquer corrida de rua dos dias de hoje, foi uma inovação introduzida em Nova York. Além disso, a corrida pode ser vista ao vivo, pela TV ou pela Internet, sem as bobajadas que os locutores brasileiros de futebol despejam ano após ano, nas transmissões da São Silvestre.

2. Para a hidratação dos participantes, os tabuleiros de líquidos são dispostos dos dois lados das ruas e avenidas, evitando atropelos e colisões. Apenas água e Gatorade são oferecidos. A alimentação, por motivos comerciais, está restrita a Power Bar em todos os sabores disponíveis. As barras são igualmente distribuídas como os líquidos.

3. Nova York sempre foi uma maratona de outono. Nos últimos anos, fixou-se no primeiro domingo de novembro.  Mas as temperaturas podem surpreender. No meu caso, começou com 6 graus centigrados, chegou a 25 e terminou com 12. É um evento de risco. Em 2008, ocorreram três óbitos, todos por problemas cardíacos. Um brasileiro de 58 anos e dois americanos, idade 66 e 41, respectivamente.

4. Dita como sendo uma maratona plana, Nova York está longe disso. Para evitar surpresas como a minha, vale consultar o gráfico de altimetria.  

http://www.ingnycmarathon.org/documents/NYCM-Profilepage10.pdf

5. O recorde masculino da prova de Nova York foi estabelecido por Tefaye Jifar, da Etiópia, em 2001, 2:07:43. O feminino é da inglês Paula Radcliffe, 2:23:09, em 2004. A prova de 2005 teve um final eletrizante, Paul Tergat, do Kenya, ultrapassou o sul africano Hendrick Ramaada nos metros finais para vencer a prova em 2:09:30, um segundo à frente de seu adversário.

6. SIMPLY THE BEST, trilha sonora do km 41,6 (26th mile) da New York City Marathon  http://www.youtube.com/watch?v=Ob6RRcw3V3A

7. Fred Lebow, arquiteto, engenheiro e produtor da New York City Marathon, faleceu em 10 de outubro de 1994. A última maratona que regeu foi aquele em que participei.

Fred Lebow

http://www.fredlebowmovie.com/

8. A ilustração incluída logo abaixo do título deste artigo é um óleo-sobre tela de Leroy Neiman, pintor americano focado em esportes. “New York City Marathon, 1980”.

 

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40 respostas para NEW YORK CITY MARATHON

  1. luz de pedra disse:

    Belíssimo texto, sobretudo seu relato pessoal das sensações e emoções.
    A gente estava junto em 1983 lembra? Você me fez comprar o 1º sapato tenis da minha vida, preto.

  2. claudia teresa rios cardoso disse:

    Adorei o artigo. É incrível como para quem jamais participou de um evento como este, a intensidade de emoções que uma maratona pode despertar nos competidores. Para mim, que já assisti a algumas era apenas um grupo de pessoas que corriam, superando forças para chegar ao final, mas não, disputar uma maratona é uma intensidade de sensações, sincronizadas para atingir um objetivo maior. Em Nova York estas sensações devem ser ainda mais fortes, mais fortes, mais fortes…

  3. marco messina disse:

    Muito impressionante a forma como vc descreveu a maratona de NY, me senti como se estivesse la’, alia’s foi vc quem me inspirou a correr essa mesma maratona em 2001, ano do atentado as torres gemeas. As sensacoes que eu tive durante a prova foram muito parecidas com as suas, inclusive o gosto maravilhoso da vito’ria de cruzar a linha de chegada que ficou na minha memo’ria para sempre, obrigado por me fazer lembrar de experiencia tao fantastica. Parabe’ns pelo desafio e pela conquista !!! abcs

    • Messina, companheiro de Ibira.
      Eu sabia que você tinha feito NY. Mas não sabia que tinha sido 2001. Em nossos 10k de walk semana passada você me falou do que tinha vivido em 2001. O parágrafo sobre aquela corrida foi dedicado a você. Mais do que nunca, depois do susto com a saúde, correr é viver. E não há melhor feedback do que saber que pessoas foram inspiradas por nós.
      1 abraço
      Astromar

  4. Otávio Monsanto de Paula disse:

    Sem dúvida um feito meu caro. Confesso, “voltei no tempo” lembrando de Berlim…..
    É, somente quem já fez uma Maratona pode entender!
    Bem legal, gostei!😀
    []´

  5. cris disse:

    ..infelizmente nunca corri uma maratona ,… so posso dizer q ate agora nao corri uma maratona….
    essa sensaçao q invade a gente ao correr ,.. essa batedeira previa,.. aquele frio na barriga e o medo do desafio sao demais……
    curti cd movimento seu da prova ,.. excelente texto…..desde a chegada ,.. desde o sonho,… ate a linha de chegada……pelo jeito vale muito a pena ficar enrolado num papel depois de 42km ,….. de superaçao individual….de ultrapassar o limite interno,…
    chego a uma conclusao,.. eu quero uma maratona de NY pra mim ,…
    tks pelo incentivo

    • Cris
      Fico muito feliz por você ter se sentido incentivada pela minha narrativa. Vá correr NY. Gostaria de acrescentar dois detalhes que, havia deixado fora do texto. No primeiro, quando você fala de superação, sou remetido a maio de 1989, quando um acidente detonou meu braço esquerdo. Cirurgia, um mês de hospital e um ano de fisioterapia. Houve momentos em que a hipótese de amputação foi considerada. Ao ter alta hospitalar e voltar para a casa de meus pais, vi numa estante uma foto minha, vendendo saúde, atravessando uma linha de chegada, em prova de 6k, no Rio de Janeiro. Aquela corrida havia me dado pódium. Prometi a mim mesmo que ficaria bom, que voltaria em melhor forma física do que aquela da foto. Quatro anos depois, eu contabilizava 12 provas de triathlon e a Maratona de Nova York.
      Segundo ponto. Não interessa tempo e colocação. Lembro-me da frustração inicial com meu tempo em NY, mesmo retirando os 16min de imobilização na largada. Não interessa. 18 anos depois, é a corrida da qual mais me orgulho. I RAN THE NYC MARATHON. And this is forever.
      1 abraço do Professor Astromar

  6. Sertã disse:

    Astromar
    Muito obrigado por tão brilhante e envolvente relato. Penso que apenas aqueles poucos malucos que já correram uma maratona sabem a quantidade de esforço físico e, principalmente psicológico, que são necessários para chegar ao final dela. Por mais que se treine nunca se pode ter certeza que vai chegar, principalmente após uma certa idade. Tenho registro da que eu corri, no Rio, mas não me lembro em que ano foi. Também não me lembro se recebi medalha, mas apenas de um estado de exaustão que me deixou deitado pelo menos umas duas horas até ser identificado, tal como um cadáver, pelos calçados Puma vermelhos pelos meus dois colegas de treinamento. Em todos os treinos eu me destacava deles. Mas no dia, na entrada do Aterro, tive que dizer para eles irem embora porque eu estava prendendo-os. E então foi aquela imensidão escura pois já era noite de inverno, e sem público como acontece em NY, até chegar a Copacabana. Mas, na esquina da Princesa Isabel com a Atlântica um “pequeno” detalhe: a chegada podia ser vista no Leme, mas antes tinha-se que ir até o final do Leblon e voltar. Mas pelo menos durante todo este percurso havia gente, e muitos conhecidos, a incentivar.
    Mas voltando a NY e sua narrativa, eu curti demais, não apenas porque gosto do tema mas, principalmente, porque admiro sua capacidade de escrever muito bem. E também de ilustrar tudo tão fartamente com fotos.
    Um grande abraço.
    RS

    • Sertã
      Valeu pelo feedback e pelas palavras. Escrevo para inspirar as pessoas e para deixar como legado para meus filhos. Você descreve a Maratona do Rio que eu participei, você passou o que eu passei. Eu havia dado chinelo nos caras no treino de 32km, semanas antes. Todos me passaram, ainda no Aterro, na volta. Noite fechada quando cheguei no Leme, mortinho. Foi em 1981. Não tinha medalha, tinha camiseta “Eu completei a Maratona Atlantica Boavista – Jornal do Brasil”.
      1 abraço
      Astromar

      • Sertã disse:

        Astromar.
        Eu achava que não tinha medalha mas a camiseta eu tinha certeza que tinha, inclusive porque ainda está comigo! Mas o ano eu tenho que ver no jornal que tenho da época!
        Abs,
        RS

  7. Roger disse:

    Acabo de ler seu artigo sobre a maratona de NY e recomendá-lo ao Netto que também correu lá. Parabéns, como sempre muito bom.
    Abç.

  8. Delicado da Kibon disse:

    Mas que relato bom de ler! Obrigada.

  9. Claudia Baggi Gonzalez disse:

    “VENNI,VIDI,VINSI”
    Con questa frase di Gaio Giulio Cesare, ti saluto!
    Tu non hai vinto la maratona, ma hai vinto se stesso.
    Impossibile immaginare correre 42,195 Km. Io non ce la faccio.
    Non si corre soltanto con le gambe. Dev’essere tutto un insieme di gambe, braccia, petto, polmoni, il cuore in gola,i piedi, l’uno dopo l’altro, sempre, sempre avanti, la testa chissà dove…
    Cosa pensi quando corri? Cosa cerchi là avanti? Cosa trovi al traguardo?
    Ho pensato a tutto questo e mi sembrava vederti in movimento mano a mano leggevo il tuo racconto.
    Le immagini che hai scelto sono bellissime. Impressionante la folla sul ponte e incantevole la foto degli alberi in autunno.
    E tu sei sempre bravissimo a trasmettere gli eventi.
    Se si fa attenzione alla tua narrativa si può sentire le grida della folla, i rumori dei piedi sul pavimento, il vento che lascia il passaggio ai vincitori !!
    Bravissimo!! E grazie per sempre ci coinvolgere nelle tue emozioni . Un abbraccio, Astromar,
    Claudia

    • Cara professoressa Claudia
      Scusi per avere cambiato le parole de Cesare; pensavo che stavano in Latino. Sono adesso ritornati all’italiano. Pronto, giusto.
      Bene, senta, sulla Maratona di Nova York, devo dire che scrivere questa storia mi ha fatto ritornare a quelli tre giorni del 1993. Subitamente mi sono transportato a tutti gli eventi en che mi ho participato, a ogni metro della corsa. Anche le sensazioni e, principalmente l’ emozione m’hanno fatto piangere altre volte. Potrebbe essere che questo é successo perché ho capito che gli anni della mia gioventú sono così lontano. Devo dire che mi ricordo di tutto; interessante che lo stesso non é vero per tante altre corse che ho fatto nella mia vita. Nova York sará sempre speciale. È la corsa di una esistenza.
      Grazie per avere capito così bene quello che è successo in quella meravigliosa domenica di novembre 1993.
      Professor Astromar

  10. Miriam Gelinski-Ziesemann disse:

    Impressionante!!!

  11. Sou Demais disse:

    Adorei essa tal de maratona de Nova York!
    E essas roupas que vocês jogam pro alto!
    Imagina se você estiver andando debaixo de uma árvore e de repente você vê uma cueca pendurada!
    E como deve ser a largada. Uma muvuca!
    E imagina se você estiver correndo numa boa e, quando você olha para trás, DRAM DRAM DRAM DRAM!!!!!

    • Querida SOU DEMAIS.
      Você realmente é demais. Quando li seu comentário, você já estava dormindo. Achei que poderia acordá-la, pelas minhas gargalhadas a cada frase, um doidão à meia noite. Cueca na árvore, muvuca na largada, estouro da boiada Dram Dram Dram, tipo Muppets lá no Hollywood Studios. Demais.
      Acho ótimo você apreciar e analisar minhas histórias. Fico feliz e ainda dou risada.
      Um beijo do
      Professor Astromar, seu papai.

  12. Alexandre Hercules disse:

    Meu caro Professor,
    diz o filósofo que quem tem história para contar, é porque viveu a vida de forma plena. E suas histórias são realmente fantásticas. Este relato da Maratona deveria ser publicado pela organização do evento, como exemplo de dedicação e paixão pelo esporte. Adoro NYC em todas as vezes que estive lá não consegui percorrer (de carro, é claro) o percurso da Maratona. Mas ainda vou fazê-lo. Muito bom você lembrar do Tavern on The Green, que era um grande restaurante mas hoje anda patinando um pouco na preparação de seu menu. É um clássico da cidade. Parabéns!!!

    • Ô Alexandre do Parmera
      Se você tentar fazer de carro o percurso da Maratona de Nova York vai levar mais tempo do que eu, correndo. Em 4 horas, naquele trânsito de louco, se chegar até o fim, ganha medalha. Por outro lado, se tentar de madrugada, é capaz de encontrar o fantasma do Charles Bronson correndo atras de deliquentes, atirando pra todo lado, tipo “Death Wish 12”.
      Mas não seria má idéia irmos juntos até Manhattan, dar uns bordejos por museus e Broadway para depois esticarmos até Gettysburg, Pennsylvania. Lá, com certeza, iremos encontrar fantasmas 7 x 24. Se não acredita em mim, pergunta só para a doutora.
      Thanks pelo comment.
      Professor Astromar

  13. SH disse:

    Prof Astromar

    Maratona foi achá-lo, mas valeu o esforço. Veja o que acabou de ser lançado:

    http://dvdworld.com.br/dvdworld.hts?+CC87343+acha

    Abraço do Seu Orlando

    • Mas Seu Orlando, que prazer, não só reencontrá-lo no Abruzzi, mas aqui, nessa camuflagem históricamente viajante. Não podemos mais sumir tantos anos. Obrigado pela dica, já encomendei o filme. Olha, aqui em casa ninguém fuma, mas você pode fumar à vontade. OK? Capisci?
      Grande e fraterno abraço.
      Professor Astromar

  14. Capitão Raimundo Nonato disse:

    Mestre dos Mestres
    Vosmecê me adiscurpe, mas essa Maratona de Néviorque é um plágio sèvergonho das aventura do meu quirido Capitão Virgulino Ferreira, o cangaceiro Lampião, lá nos idos de 1929. Inté no nome, pruquê a história começa com baratona e marafona. Tu num sabe, seu minino, mas tarra Lampião co’ seus cabra arrupiando os engenho e uma casa de muié dama lá na região de Pariporinha, quando veio uma nuvem de gafanhoto qui inté cubriu o sol. No meio da insetaiada tinha tumém baratona grande qui nem bizôro. Os cabra largaro as marafona no meio do coito, jogaram as rôpa nas arvi pra módi segura os bicho vuadô e ficá mais leve de carregá mercadoria de saque. Saíro correndo pelado só com borná e fusível. E ói tu que atrás deles vinha a jagunçada dos coroné, a puliça e os macaco da volante do Tenente Sivirino. Mas essa tropa num tinha sabedoria de escapamentio. Os cangaceiro tinha suprimentio de carne de sol, macaxeira e água de fogo acoitado pelo caminho. Corria com asa nos pé. Os da perseguição só comia era pó. E ni ni guentaro foi nada. Inda prucima, Volta Sêca, o cangaceiro mais mocim do bando, era chegado a uma cantoria violada, tinha sua banda de pífaros. Antonce, se em Néviorque as banda toca no caminho, com Lampião a banda tocarra era juntim, na correria, que dá mais animação.
    Os cabra de Lampião largaro os milico corredô foi pra trás e chegaro inté Painho Zidum, a 30 légua de Pariporinha. E é pru causo disso, que, todo dia 29 de abril, dia de São Virgulino, tem a festa da Carreira das 30 Légua de Lampião, de Pariporinha inté Painho Zidum cu’a festança na chegada, c’as musica da Banda de Volta Sêca. Óia só, nóis tem inda hoje os LP que ele gravô, antes de falecê de morte morrida, em 2002, com 91 anos.
    http://www.forroemvinil.com/?p=7394
    Têja convidado pra vi aqui dia 29 de abril corrê a Carreira das 30 Légua de Lampão, cumpadi Astromar. E vai ouvindo as musga aí. Cantoria originá de Volta Seca.
    A bença, meu professô.
    Capitão Raimundo Nonato, chefe de bando.

    • Meu caro Capitão Raimundo Nonato
      Agora, que voltei a treinar corrida, será que o senhor poderia me inscrever nessa próxima Carreira das 30 Légua de Lampião?
      Entendo que será Sexta Feira 29 de Abril próximo. Estarei pronto. O amigo vai participar também? Aguardo resposta para providenciar passagem de marinete e quarto em estalagem.
      Obrigado e um grande abraço.
      Professor Astromar

  15. anacarolina disse:

    adorei o relato…eletrizante assim como deve ter sido a maratona. e olha que nem sou fã desses eventos esportivos, mas voce narrou como espetáculo de superação humana, de conhecimento sobre a coletividade e tal…adorei!

    • Carol, realmente foi e continua sendo eletrizante, 18 anos depois. Mas o Capitão Raimundo Nonato, seu conterrâneo, o último cangaceiro, rebate a narrativa, acusando a Maratona de Nova York de ser plágio da Carreira das 30 Légua de Lampião, celebrada desde 1929, entre Pariporinha e Painho Zidum. Você tem como confirmar a história que ele apresenta como comentário a esse texto?

  16. Laís disse:

    Mais um texto emocionante. Parabéns!!
    A riqueza de detalhes é incrível, e me fez pensar que uma maratona, em especial Nova York, não é para qualquer um!! Talvez eu vá apenas para assistir rs…
    Agora o mais impressionante é pensar que uma Coca-Cola te salvou… preciso rever meus conceitos!!!
    Laís

    • Laís, querida super vigilante da minha nutrição
      1.Vá correr Nova York. É diferente de todas as outras maratonas.
      2.Uma Coca Cola em 42km, há de convir, não é pecado.
      3.Como pecador, devo confessar que a mesma coisa aconteceu no km 37 da Maratona do Rio de Janeiro, 1981. Ainda vejo aquela Coca Cola em garrafa de 300ml, suando de gêlo, funcionar como espinafre do Popeye.
      Bj
      Astromar

  17. Leninha disse:

    Como sempre sua reportagem foi fantástica. Minhas filhas também correm hoje em dia e eu como mãe coruja,vou sempre assistí-las. Sinto uma emoção muito grande quando estou lá . Torço, fico nervosa esperando que elas não desistam e sentada no meio fio, espero a chegada delas para dar aquela última forcinha no final que é super importante. Quando li sua reportagem fiquei imaginando o que você passou que realmente deve ser inesquecível e glorioso. Você é brilhante, como sempre, ao descrever suas emoções, dificuldades e superações.Parabéns mais uma vez e obrigada por mais uma repostagem MARAVILHOSA CHEIA DE EMOÇÕES!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Bjs

  18. Leninha
    Obrigado pelo depoimento. Corro desde 1979 e, mesmo décadas depois, a gente não perde a injeção de adrenalina de um último quilômetro. Se você não perde as corridas da prole, só tive essa experiencia uma vez. Guardo no coração a presença de minha mãe me sacudindo dentro da ambulância, logo após a linha de chegada, no Leme, dos 8k da Corrida das Empresas. Eu havia vencido a prova. A Z era pé quente. Quanto a sentar no “meio fio”, pode causar confusão aqui em SP. Podem pensar que você estava no alto de um poste, no meio do fio. Aqui, a turma conhece beira de calçada como “guia”.
    Professor Astromar

  19. Luiz Antonio Sacco disse:

    Fantástico, Prof. Astromar!

    Se ler já foi emocionante, imagino ao vivo e a cores!

    Taí… belo objetivo para 2012!

    Grande abraço!

  20. Professor,
    Vida boa é vida vivida. Experiência compartilhada é bondade para com o próximo, é o incentivo e a motivação para manter, começar ou recomeçar algo. Obrigado por compartilhar experiência tão intensa e significativa. Abraço.

  21. Jorge Paulo Elias Jr. disse:

    Grande Professor…
    Parabens , maravilhoso…Você sempre escreve muito bem…fico sempre emocionado com os seus relatos…muito mais do que uma passagem de sua História….uma lição de vida … Admiração é pouco….. virei um verdadeiro fã xiita do seu blog……grande abraço
    JP Jorge Paulo E Jr…..ou JP 2 …já que antiguidade é posto…

  22. AILTON TAVOLASSI disse:

    Fico emocionado e até choro ao ver e ler comentários feito o seu, parabéns pela narração da trajetória, minha ficção pela maratoana de NY já chega a ser um sonho, este ano (2011) acho que vou, estou “arrecadando” coragem em relatos como o seu, para completar decisão em ir, e caso eu vá, tenha certeza que vc um desconhecido meu, foi um dos responsável pela dicisão.
    e coragem que tomarei. rsrsrsr
    parabénssssssssssssss!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    • Ailton
      Muito obrigado pelo seu comentário. Fico emocionado por estar influindo em sua decisão. Vivo a Maratona de NY até hoje. Ontem mesmo vi o video da minha prova, a de 1993, mais uma vez. O esporte está na minha vida. Ajuda a moldar o caráter, a ter fibra, a não desistir. E o gosto da vitória, numa competição contra nós mesmos, é maravilhoso. Deixo aqui a lembrança de minhas lágrimas, na chegada de meu primeiro triathlon, em dezembro de 1990, em Florianópolis, um ano e meio depois de quase ter perdido meu braço esquerdo em um acidente. Três anos depois, a linha de chegada era a da Maratona de Nova York. A gente cai para poder levantar.
      Grande abraço,
      Astromar

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